El Niño pode provocar extremos climáticos em São Paulo em 2026
Fenômeno climático aumenta o risco de temporais, ondas de calor, queimadas, piora da qualidade do ar e pressão sobre os reservatórios, segundo especialistas
- Publicado: 28/06/2026 13:15
- Alterado: 28/06/2026 13:15
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O fenômeno El Niño deve provocar uma sequência de eventos climáticos extremos em São Paulo nos próximos meses, combinando temporais, calor intenso, períodos de estiagem e maior risco de queimadas. Especialistas alertam que a capital paulista, por estar em uma faixa de transição climática, pode sentir tanto os efeitos das chuvas intensas quanto da seca prolongada.
Apesar das chuvas acima da média registradas no início do inverno, a tendência é de mudanças no padrão das precipitações, com tempestades mais concentradas e intensas, capazes de aumentar os riscos de alagamentos, transbordamentos de rios e quedas de árvores.
Temporais devem desafiar infraestrutura da capital
Meteorologistas explicam que o El Niño fortalece os chamados jatos de alto nível, correntes de vento em grandes altitudes que favorecem a formação de sistemas de chuva no Sul e Sudeste do Brasil.
Embora o volume anual de chuva em São Paulo não deva sofrer alterações significativas, a distribuição das precipitações tende a mudar. Em vez de chuvas contínuas e moderadas, a expectativa é de pancadas fortes em curtos períodos, cenário que aumenta a possibilidade de enchentes em áreas urbanas.
O período de maior atenção é esperado entre o fim da primavera e o início do verão, quando ondas de calor poderão ocorrer simultaneamente à chegada de temporais acompanhados por rajadas de vento.
Prefeitura reforça plano preventivo
A Prefeitura de São Paulo informou que diferentes áreas da administração municipal elaboram estratégias preventivas para enfrentar os impactos do El Niño antes do período mais crítico, previsto para começar em setembro.
Entre as principais medidas estão a limpeza de córregos, manutenção da drenagem urbana e poda preventiva de árvores, ações consideradas fundamentais para reduzir riscos durante os temporais.
Queimadas e poluição preocupam autoridades de saúde
Antes da intensificação das chuvas, especialistas alertam para outro efeito do El Niño: dias de calor intenso, baixa umidade do ar e aumento da fumaça provocada por queimadas.
Segundo médicos, a poluição gerada pelos incêndios pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos e gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos da piora da qualidade do ar.
Para ampliar o monitoramento, o Governo de São Paulo anunciou o uso de inteligência artificial na análise de dados meteorológicos e de câmeras instaladas em rodovias para identificar focos de incêndio com mais rapidez.
Reservatórios também entram em estado de atenção
Outro impacto possível é o atraso do início da estação chuvosa, normalmente esperado para outubro. Caso a estiagem se prolongue, os níveis dos reservatórios poderão ser afetados.
O Sistema Cantareira passou a integrar os indicadores utilizados pelo governo estadual para definir medidas de economia de água, como a ampliação do período de redução da pressão na rede de abastecimento durante a noite.
Especialistas, no entanto, destacam que o El Niño aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa, necessariamente, que tragédias de grande magnitude irão ocorrer. Eles defendem investimentos contínuos em prevenção, planejamento e fortalecimento das ações da Defesa Civil para reduzir os impactos de possíveis desastres.