Eduardo Leite vota no Rio Grande do Sul e diz ter escolhido o mal menor
Governador gaúcho não revelou seu voto entre Lula e Flávio Bolsonaro, criticou os dois candidatos e pediu que o vencedor trabalhe pela pacificação do país
- Publicado: 25/10/2026 16:40
- Alterado: 25/10/2026 16:42
- Autor: Edvaldo Barone
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou neste domingo (25) que votou no candidato que considera o “mal menor” na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Sem revelar sua escolha, o político criticou as duas alternativas apresentadas aos eleitores e demonstrou preocupação com a divisão política do país, independentemente do resultado do segundo turno das eleições de 2026.
Leite compareceu ao Instituto de Educação Estadual Assis Brasil, em Pelotas, no sul do estado, onde concedeu entrevista após registrar seu voto. O governador declarou não enxergar uma alternativa satisfatória entre os dois presidenciáveis e afirmou que sua decisão foi tomada diante das opções disponíveis. O posicionamento mantém a distância pública que ele adotou em relação às candidaturas que chegaram à etapa final da disputa.
A manifestação ocorre depois de uma tentativa frustrada de concorrer à Presidência pelo PSD. Sem conseguir viabilizar sua candidatura, Leite apoiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que representou o partido no primeiro turno e terminou a votação em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos.
Eduardo Leite critica polarização entre Lula e Flávio

Ao comentar o cenário eleitoral, Eduardo Leite afirmou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro representam caminhos que considera negativos para o Brasil. O governador evitou indicar qual deles recebeu seu voto e preferiu concentrar suas declarações na necessidade de reconstrução do diálogo político após a eleição.
Para Leite, a proximidade entre os candidatos nas pesquisas e a possibilidade de um resultado apertado exigem uma postura diferente de quem conquistar a Presidência. Ele citou como exemplo um eventual placar de 51% a 49%, argumentando que a vitória não deveria ser interpretada como uma derrota definitiva dos eleitores que escolheram o adversário.
O governador defendeu que o próximo presidente reconheça a existência de uma parcela expressiva da população com posições divergentes e procure estabelecer canais de diálogo. Em sua avaliação, o encerramento da disputa eleitoral não será suficiente, por si só, para superar as tensões políticas acumuladas no país.
Rio Grande do Sul deu vantagem a Flávio no primeiro turno
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 55,6% dos votos no Rio Grande do Sul, enquanto Lula obteve 35,7%. A diferença entre os candidatos no estado contrasta com a posição pública de Eduardo Leite, que não declarou apoio a nenhum dos dois concorrentes na votação decisiva.
O cenário político gaúcho também passou por mudanças nas eleições estaduais. Leite encerrará seu mandato em janeiro e será sucedido por Luciano Zucco (PL), eleito governador com 58% dos votos. O candidato apoiado por Leite, o atual vice-governador Gabriel Souza (MDB), recebeu 8% e não conseguiu chegar ao segundo turno.
Embora tenha integrado a chapa apoiada pelo governador, Gabriel Souza adotou um posicionamento diferente na eleição presidencial. O emedebista declarou acompanhar a orientação do MDB no Rio Grande do Sul, que anunciou apoio a Flávio Bolsonaro.
Histórico de Eduardo Leite inclui apoios distintos

A decisão de não revelar o voto no segundo turno de 2026 não é inédita na trajetória de Eduardo Leite. Em 2022, o governador apoiou Simone Tebet no primeiro turno da eleição presidencial, mas não tornou pública sua escolha na disputa final entre Lula e Jair Bolsonaro.
Quatro anos antes, em 2018, seu posicionamento havia sido diferente. Leite declarou apoio a Geraldo Alckmin na primeira etapa da eleição e, posteriormente, a Jair Bolsonaro no segundo turno, quando o então candidato do PSL derrotou Fernando Haddad (PT).
Agora, ao encerrar seu período à frente do governo gaúcho, Eduardo Leite mantém o voto presidencial em sigilo e defende que o vencedor procure estabelecer uma relação menos conflituosa com a parcela do eleitorado que apoiou o adversário. A posição foi apresentada durante a votação, antes da definição oficial do resultado das urnas.