Eduardo Bolsonaro pede a Trump retomada de sanções contra Moraes

Em vídeo em inglês, Eduardo Bolsonaro acusa Alexandre de Moraes de violar direitos humanos, contesta o STF e defende reativação de punições sob a Lei Magnitsky

Crédito: (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta quarta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, restabeleça sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, mecanismo norte-americano que prevê punições financeiras e restrições de entrada no país.

Em vídeo publicado nas redes sociais, em inglês, o ex-deputado voltou a classificar Moraes como “ditador” e afirmou ser alvo de perseguição. “O cara que diz que ele é a vítima do que eu estou denunciando aqui nos EUA é o mesmo que está me julgando”, declarou.

Lei Magnitsky e novas articulações internacionais de Eduardo Bolsonaro

“Essas pessoas são violadoras de direitos humanos, e depois de mim, se um dia na próxima eleição retornar uma administração radical à esquerda aqui nos EUA, eles estarão juntos perseguindo não apenas você [Trump], mas todas as pessoas ao seu redor na administração”, afirmou o ex-parlamentar durante o vídeo.

O governo dos Estados Unidos retirou Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane de Barci, da lista de indivíduos sancionados com base na Lei Magnitsky em dezembro de 2025. Apesar disso, aliados políticos seguem articulando para que o magistrado volte a ser incluído no regime de punições.

Moraes foi o relator da ação que resultou, na terça-feira (16), na condenação de quatro anos e dois meses de prisão ao Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, relacionada à sua atuação nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro e tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Condenação, defesa e críticas ao processo no STF

Mesmo negando qualquer prática criminosa, o Eduardo Bolsonaro afirmou estar “muito orgulhoso” de sua atuação em território norte-americano, onde vive desde fevereiro do ano passado.

“Se eles me condenam é porque estou fazendo um ótimo trabalho. E eu nunca vou parar porque, em todos os regimes, quando eles chegam a um ponto de repressão muito alto, é porque estão bem perto do fim”, declarou.

O ex-parlamentar também contestou a forma como foi notificado pela Justiça brasileira, afirmando não reconhecer o processo em andamento no STF. Durante o julgamento, a Defensoria Pública da União (DPU), responsável por sua defesa no caso, sustentou que a intimação deveria ter ocorrido por carta rogatória, e não por edital.

Notificações, casos internacionais e defesa política

Segundo o ex-deputado, “todas as autoridades americanas sabem onde eu moro”. Ele afirmou ainda que jornalistas brasileiros já estiveram em sua residência, em Dallas, Texas, onde diz viver em exílio.

“Mas a Suprema Corte não quer fazer isso”, completou.

Em sua argumentação, ele citou casos envolvendo a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o blogueiro Oswaldo Eustáquio Filho, cujas extradições foram negadas pela Justiça da Itália e da Espanha, respectivamente. Segundo ele, “nenhum desses países nunca enviou nenhum brasileiro de volta para o Brasil por solicitações dessa Justiça de Alexandre de Moraes”.

O ex-parlamentar também afirmou apoiar uma eventual candidatura de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República, defendendo que uma vitória eleitoral poderia abrir caminho para anistias envolvendo ele próprio e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

  • Publicado: 17/06/2026 17:57
  • Alterado: 17/06/2026 17:57
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FOLHAPRESS