DTV+ inaugura uma nova fase da comunicação no Brasil
Ao unir transmissão aberta e conectividade, a DTV+ reposiciona a televisão como protagonista da próxima fase da comunicação digital
- Publicado: 28/07/2026 18:10
- Alterado: 28/07/2026 18:10
- Autor: Rodrigo Freitas
A televisão brasileira está diante de um dos seus momentos mais simbólicos de reinvenção. Ao escolher a Copa do Mundo de 2026 como marco para o início oficial da DTV+, o setor fez mais do que apresentar novas tecnologias. A televisão aberta estabeleceu uma nova narrativa, deixando de ser vista como um meio que precisa se adaptar ao futuro digital e voltando a ser reconhecida como parte da construção desse futuro.
A escolha do maior evento esportivo do planeta como vitrine não é apenas estratégica do ponto de vista de audiência. Grandes momentos de mobilização coletiva sempre ajudaram a popularizar novas tecnologias de mídia. Foi assim com a chegada da TV em cores, com a alta definição e com a digitalização da televisão. Agora, a DTV+ busca associar a próxima transformação da TV brasileira a uma experiência mais conectada, interativa e próxima dos hábitos atuais do consumidor.
A televisão aberta muda a narrativa

Durante anos, o mercado tratou televisão e plataformas digitais como forças concorrentes. A ascensão do streaming, das redes sociais e do vídeo sob demanda alimentou a percepção de que a TV aberta não tinha mais espaço. Porém, os dados mostram um cenário diferente. A televisão continua sendo uma das principais plataformas de comunicação do Brasil, com presença massiva nos lares e forte relevância cultural.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2025, do IBGE, a televisão permanece presente na maioria dos domicílios brasileiros. O levantamento mostra que 93,9% dos lares possuem televisão, reforçando a ampla capilaridade da TV aberta no país.
Ao mesmo tempo, o país vive uma transformação no comportamento de consumo de mídia. A expansão da conectividade criou uma audiência híbrida. O público passou a consumir informação e entretenimento de forma integrada. Ele acompanha uma transmissão na televisão, utiliza o celular para buscar informações, interage nas redes sociais e acessa conteúdos complementares em plataformas digitais. Essa mudança destaca um ponto importante, a televisão continua viva e, em vez de indicar seu fim, a transformação digital potencializou seu alcance.
É nesse contexto que surge a DTV+, com a proposta de unir dois mundos que antes eram vistos como separados. De um lado, está a força histórica da TV aberta, com alcance, confiança, presença nacional e relevância cultural. De outro, estão recursos característicos do ambiente digital, como interatividade, conectividade, dados e personalização.
Durante muito tempo, anunciantes precisaram escolher entre escala e precisão. A televisão entregava grandes audiências, enquanto as plataformas digitais ofereciam segmentação e mensuração. A nova geração da TV aberta busca aproximar esses dois modelos, transformando a televisão em uma experiência mais conectada, inteligente e participativa.
A discussão, portanto, deixa de ser a respeito da sobrevivência da televisão e passa a ser sobre sua capacidade de se reinventar. A DTV+ representa uma nova etapa da mídia brasileira, uma televisão que mantém sua força histórica, mas incorpora as possibilidades da era digital.
O próximo capítulo da TV brasileira
Um dos aspectos mais interessantes da DTV+ está na forma como essa inovação vem sendo apresentada ao mercado. A narrativa não está concentrada apenas em especificações técnicas. O foco está no que a tecnologia permite criar, como experiências para o público, formatos publicitários mais interativos e novas possibilidades de relacionamento entre marcas e consumidores.
Essa escolha revela uma lição importante para qualquer setor que passa por transformação. A tecnologia, sozinha, não muda comportamentos. O que gera adoção é a capacidade de comunicar valor.
Outro ponto importante é a construção colaborativa do projeto. Assim como aconteceu com a TV Digital, o desenvolvimento da DTV+ reuniu radiodifusores, fabricantes, universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e representantes do poder público, sob coordenação do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD).
Integração, inovação e novos desafios

Em um mercado cada vez mais influenciado por grandes plataformas globais, construir uma solução nacional representa também uma estratégia de competitividade. A inovação deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ser uma questão de articulação entre diferentes setores.
A DTV+ ainda terá desafios pela frente, como a criação de novas aplicações e a consolidação dos modelos de negócio. Nenhuma mudança dessa dimensão acontece de um dia para o outro, mas a maior transformação já começou. Ela está na mudança de narrativa.
Depois de anos sendo apresentada como um meio pressionado pela evolução digital, a televisão aberta passa a se posicionar como uma plataforma capaz de liderar parte dessa transformação. O futuro da comunicação não será construído pela substituição de um meio por outro, mas pela integração entre diferentes tecnologias, formatos e experiências.
A DTV+ simboliza exatamente isso. Mais do que uma nova geração da televisão, representa uma nova fase da comunicação brasileira, em que televisão, internet, publicidade e audiência passam a fazer parte de uma mesma conversa.
Rodrigo Freitas

Rodrigo é jornalista e radialista, com pós-graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atua no mercado de comunicação desde 2007, com foco no relacionamento com a imprensa, influenciadores e diversos stakeholders. Atualmente, é gerente de comunicação na Race Comunicação, e está à frente do caderno Comunicação em Contexto no ABCdoABC.