Dólar recua com queda do petróleo e eleição em foco
O dólar recua nesta segunda (21) a R$ 5,106, acompanhando a queda do petróleo e pesquisas que apontam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro
- Publicado: 21/09/2026 17:49
- Alterado: 21/09/2026 17:49
- Autor: Gabriel de Jesus
O dólar recua nesta segunda-feira (21), acompanhando a baixa dos preços do petróleo no exterior e o cenário eleitoral brasileiro. Por volta das 15h30, a moeda americana caía 0,74%, a R$ 5,106. No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,79%, aos 186.705 pontos.
Petróleo em queda alivia pressão sobre o dólar

O recuo nas cotações da commodity reduz os temores de alta da inflação e dos juros no mundo e alimenta o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes, como o Brasil — movimento que ajuda a explicar a queda do dólar no país.
Na mínima, o barril de Brent, referência mundial da commodity, com vencimento em novembro, recuou 3,5%, a US$ 100,22. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a cair a US$ 91,60, desvalorização de 4,66%.
A queda do dólar ocorre em meio à maior expectativa entre analistas de uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, via marítima por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
“O comportamento do petróleo continua relevante porque uma permanência da commodity em níveis elevados pode aumentar as pressões inflacionárias e limitar a margem dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária. Por outro lado, uma redução consistente do prêmio de risco geopolítico alivia parte dessa pressão e melhora o ambiente para os ativos de risco”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Nos mercados globais, assim como no Brasil, a baixa do petróleo tem impacto positivo: nos EUA, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançam 1,45%, 0,74% e 2,17%. As rentabilidades dos Treasuries, títulos do Tesouro americano de 2, 10 e 30 anos, recuam em bloco, movimento que ocorre quando os preços dos títulos sobem, já que os dois indicadores têm relação inversa.
Tensão no Oriente Médio segue no radar
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. A autoridade de Teerã deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. O Irã também indicou a mediadores sua disposição para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera, que citou o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, Mohsen Rezaei.
Essa expectativa por negociações, contudo, contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados, e uma densa coluna de fumaça foi vista — os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a autoria da ofensiva. Além disso, os EUA anunciaram nesta segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23).
Cenário eleitoral também pesa
No ambiente doméstico, pesquisas presidenciais que apontam empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também estão no radar dos investidores e influenciam a percepção sobre uma possível alternância de poder e uma nova política fiscal.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (21) mostra o presidente Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 37% do senador Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula aparece com 46%, contra 45% de Flávio — os dois cenários configuram empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Na semana passada, pesquisa Datafolha mostrou Lula e Flávio Bolsonaro também empatados tecnicamente no primeiro turno, com 39% e 36%, respectivamente. No segundo turno, os dois mantiveram o empate técnico da rodada anterior, com 46% para o presidente e 44% para o senador.
“O fator determinante tende a ser o cenário eleitoral. Conforme o mercado altera sua percepção sobre a trajetória fiscal e sobre o espaço para juros mais baixos no Brasil, esse componente doméstico pode prevalecer em determinados momentos sobre as pressões externas e puxar o dólar para baixo”, diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos.
Parte dos analistas avalia que Flávio tem um discurso mais alinhado à disciplina fiscal do que Lula — o senador afirma que, se eleito, fará um ajuste fiscal, com redução de despesas e de impostos. Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e consumidores e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa; ao mesmo tempo, uma maior percepção de risco pode reduzir a demanda por ativos brasileiros e pressionar o real.
Semana tem agenda cheia no Brasil e no exterior
Durante a semana, o mercado estará atento a encontros e discursos na Assembleia Geral da ONU. O presidente Lula deve discursar no evento, que começa nesta terça-feira (22). Ainda no ambiente internacional, Trump e Xi Jinping se reúnem em Washington: o líder chinês chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com o presidente americano está previsto para quinta-feira (24), quando as autoridades devem discutir temas como inteligência artificial e comércio entre os dois países.
Na terça-feira (22), será divulgada a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, que deve detalhar o balanço de riscos considerado pela autarquia diante do cenário externo. Já na sexta-feira (25), será divulgado o IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia do IPCA, principal indicador de inflação do país — outro dado que pode influenciar o comportamento do dólar nos próximos dias.