Diabetes pode destruir os rins em silêncio e muitos ainda ignoram
Pesquisa revela que quase metade dos jovens desconhece que o diabetes pode causar doença renal crônica e comprometer a saúde de forma silenciosa
- Publicado: 24/06/2026 11:45
- Alterado: 24/06/2026 11:45
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: ABCdoABC
O diabetes costuma ser associado ao controle da glicemia, às restrições alimentares e ao uso contínuo de medicamentos. Entretanto, uma das consequências mais graves da doença ainda permanece pouco conhecida pela população. Trata-se do comprometimento dos rins, um problema que pode evoluir silenciosamente e comprometer de forma significativa a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que quase metade dos brasileiros entre 16 e 34 anos desconhece a relação entre diabetes e doença renal crônica. O dado chama atenção porque a perda progressiva da função dos rins está entre as complicações mais frequentes associadas à doença e, em casos avançados, pode levar à necessidade de hemodiálise ou até mesmo de transplante renal.
O médico nefrologista Alexandre Habitante explica que o diabetes figura entre as principais causas de doença renal crônica em todo o mundo e que os danos provocados pelo excesso de glicose costumam se instalar de forma gradual, sem provocar sinais evidentes nas fases iniciais. “O excesso de glicose no sangue pode causar lesões progressivas nos pequenos vasos dos rins, prejudicando sua capacidade de filtração. O grande problema é que esse processo acontece de forma lenta e, na maioria das vezes, sem sintomas nas fases iniciais”, explica.
Doença avança em silêncio
Uma das principais dificuldades no combate à doença renal crônica é justamente a ausência de sintomas nos primeiros anos de evolução. Muitos pacientes mantêm a rotina normalmente, acreditando que o diabetes está sob controle, enquanto os rins passam por um processo contínuo de deterioração.
Segundo Alexandre Habitante, esse desconhecimento faz com que muitos deixem de realizar exames periódicos e descubram a doença apenas quando a função renal já está bastante comprometida. “Muitas vezes, o paciente se sente bem e acredita que está tudo sob controle. Porém, a doença renal crônica pode evoluir silenciosamente por anos. Quando surgem sintomas como inchaço, cansaço excessivo, alterações urinárias ou aumento da pressão arterial, a função dos rins já pode estar bastante comprometida”, alerta.

O especialista destaca que os rins desempenham funções essenciais para o organismo, como a eliminação de toxinas, o equilíbrio dos líquidos corporais e a regulação da pressão arterial. Quando esse funcionamento é afetado, os impactos podem se estender para diferentes sistemas do corpo.
Além da perda progressiva da função renal, pessoas com doença renal crônica apresentam maior risco de desenvolver complicações cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral. Por essa razão, o acompanhamento médico regular e a vigilância constante tornam-se parte fundamental do tratamento.
Exames simples podem mudar o curso da doença
Embora a doença renal crônica represente uma das complicações mais graves do diabetes, seu diagnóstico pode ser realizado por meio de exames acessíveis e amplamente disponíveis na rede de saúde. A dosagem de creatinina no sangue e a investigação da presença de proteínas na urina estão entre os principais métodos utilizados para avaliar a saúde dos rins.
A identificação precoce permite adotar medidas capazes de retardar a progressão da doença e preservar a função renal por muitos anos. Controle adequado da glicemia, acompanhamento médico frequente e atenção aos fatores de risco estão entre as principais recomendações dos especialistas. “Quem convive com diabetes precisa incluir a saúde dos rins na sua rotina de cuidados. O controle adequado da glicemia, associado ao acompanhamento médico regular, é a melhor forma de prevenir complicações e preservar a função renal ao longo dos anos”, reforça o nefrologista.
Prevenção continua sendo a principal aliada

No Dia Nacional do Diabetes, especialistas reforçam uma orientação que vale para todas as idades. Esperar o aparecimento dos sintomas pode significar perder um tempo precioso no combate à doença renal crônica.
A prevenção, associada ao monitoramento contínuo e à realização periódica de exames, permanece como a estratégia mais eficaz para impedir que uma condição silenciosa se transforme em um problema de saúde de grandes proporções. O desafio, segundo os médicos, passa também pela informação, para que cada vez mais pessoas compreendam que cuidar do diabetes significa, necessariamente, cuidar dos rins.