Brasil perde 4,4 bilhões de m³ de água por ano, aponta estudo
Vazamentos na rede pública jogam fora 4,8 mil piscinas olímpicas diárias e dificultam universalização do saneamento nacional.
- Publicado: 03/11/2026 11:52
- Alterado: 03/11/2026 11:52
- Autor: Thiago Antunes
O desperdício de água na rede pública brasileira atinge o volume diário de 16,2 milhões de caixas d’água de 750 litros. Esse montante descartado resulta de vazamentos estruturais nas tubulações de distribuição do país. O número consta no Estudo de Perdas de Água 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.
As perdas físicas registradas ao longo de 2024 somaram cerca de 4,4 bilhões de m³ de recursos hídricos tratados. O volume perdido por ineficiência do sistema representa o equivalente a 4,8 mil piscinas olímpicas desperdiçadas por dia. Apenas nas capitais brasileiras, o déficit operacional consome mais de 5 milhões de caixas d’água diariamente.
Impacto do desperdício de água na população
Nas cidades, o desperdício de água ocorre simultaneamente à exclusão social de cerca de 33 milhões de brasileiros que vivem sem acesso ao recurso tratado. O índice nacional de perdas na distribuição marca 39,53%. Esse percentual ultrapassa significativamente a meta de 25% estabelecida pela Portaria MCID nº 788/2024.
Cada litro vazado pelas ruas exige maior esforço de captação nos mananciais e eleva o gasto de energia elétrica. As concessionárias também aplicam produtos químicos em volumes que nunca chegam às torneiras das residências. As mudanças climáticas já pressionam a disponibilidade hídrica e tornam essas ineficiências operacionais insustentáveis.
Caminhos para a universalização do saneamento
Estancar o desperdício de água gera efeitos diretos na ampliação da infraestrutura urbana. A pesquisa indica que a redução do índice atual para o teto de 25% economizaria recursos suficientes para abastecer quase 48 milhões de pessoas. O contingente beneficiado supera o total de desassistidos no país. “Combater o desperdício não é um detalhe operacional, mas é uma parte essencial do caminho para a universalização do saneamento”, alerta o relatório.
Garantir o abastecimento seguro e contínuo para os cidadãos depende de cuidar rigorosamente daquilo que as estações de tratamento já produzem. A gestão eficiente das concessionárias precisa estancar os vazamentos estruturais antes de buscar novas fontes de captação. A erradicação definitiva do desperdício de água molda a viabilidade e o futuro hídrico de todo o território nacional.