Defesa de Bolsonaro aponta falhas em provas e pede suspensão da pena
Defesa do ex-presidente aponta falhas na cadeia de custódia de dados e usa decisões recentes do Supremo para tentar anular condenação.
- Publicado: 01/10/2026 11:29
- Alterado: 01/10/2026 11:29
- Autor: Thiago Antunes
A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira (25) para derrubar a condenação de 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. Os advogados apresentaram uma nova revisão criminal exigindo a suspensão imediata da execução da pena.
A ação judicial apoia-se em um parecer técnico inédito focado no escrutínio das provas digitais do processo. O relatório contesta a integridade da cadeia de custódia dos arquivos eletrônicos utilizados durante a fase de acusação original.
Nova estratégia de Bolsonaro foca em falhas técnicas

O documento pericial não confirma a adulteração direta do material apreendido pelas autoridades. Os especialistas contratados atestam a impossibilidade técnica de rastrear a origem e o processamento completo de uma parcela sensível dos dados apresentados nos autos.
“A presente revisão está sendo proposta em razão de fatos novos, prova nova e a demonstração cabal de que a manutenção da condenação representa grave injustiça“, argumentou a defesa na petição enviada aos magistrados.
A equipe legal aponta o curto período disponibilizado para checagem do material probatório. Segundo a argumentação dos peritos, o volume maciço de informações impediu uma conferência adequada da cadeia de custódia antes do início da fase de instrução penal.
Precedentes envolvendo o ministro Alexandre de Moraes
Os defensores utilizam manifestações recentes dos próprios magistrados para validar o requerimento de nulidade processual. O debate travado em setembro sobre o acesso aos dados originais no inquérito ligado ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustenta a nova tese.
Naquele julgamento, a cúpula do Supremo cobrou o acesso direto às mídias brutas que embasaram o relatório analítico da Polícia Federal. A equipe de Bolsonaro aponta um tratamento judicial desproporcional, lembrando que a Corte bloqueou o pedido da defesa para periciar os celulares originais e os relatórios em sua versão integral.
Prevenção e próximos passos de Bolsonaro no STF
O requerimento exige o encaminhamento compulsório do processo para o ministro Kassio Nunes Marques. O magistrado responde pela relatoria de uma outra revisão criminal protocolada em maio, abordando questionamentos estruturais semelhantes sobre a mesma condenação processual.
A manobra jurídica consolida uma sequência de alterações táticas nos últimos dias. A defesa solicitou a interrupção da pena na quinta-feira (24), retirou o documento horas depois e restabeleceu a cobrança na sexta-feira (25) ao protocolar a nova revisão criminal de Bolsonaro.