Flávio tem 52% e Lula, 48% em votos válidos, diz Datafolha
Pesquisa mostra o senador do PL com 52% dos votos válidos contra 48% do atual presidente no primeiro levantamento do 2°turno.
- Publicado: 09/10/2026 07:52
- Alterado: 09/10/2026 07:52
- Autor: Thiago Antunes
A primeira pesquisa Datafolha realizada após a definição do segundo turno da eleição presidencial indica vantagem numérica para o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 52% das intenções de votos válidos, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento foi divulgado após o resultado do primeiro turno, no qual o candidato do PL terminou à frente do petista.
Quando são considerados os votos totais, incluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 49%, enquanto Lula soma 45%. Outros 5% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 1% ainda não decidiu em quem votar.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Embora os números indiquem vantagem para Flávio, a diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico. A posição dos candidatos nos extremos desse intervalo, contudo, torna menos provável um cenário de igualdade estatística.
Os votos válidos, utilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para definir o resultado oficial da eleição, desconsideram votos brancos, nulos e eleitores indecisos.
Datafolha mostra diferenças entre grupos de eleitores

O levantamento revela perfis distintos de apoio aos dois candidatos. Flávio Bolsonaro apresenta vantagem entre eleitores do Sudeste, moradores da região Sul, integrantes da classe média baixa e evangélicos, enquanto Lula tem desempenho superior entre os mais pobres, eleitores com menor escolaridade, católicos e nordestinos.
Considerando os votos totais, o senador aparece à frente entre os moradores do Sudeste, que representam 42% da amostra, com 50% contra 42% de Lula. Entre os entrevistados com renda de dois a cinco salários mínimos, a vantagem é de 56% a 38%. No Sul, Flávio registra 58%, ante 35% do presidente.
A diferença é ainda maior entre os evangélicos, grupo que corresponde a 28% dos entrevistados. Nesse segmento, o candidato do PL alcança 69% das intenções de voto, enquanto Lula tem 25%.
O presidente, por sua vez, mantém maior apoio entre os eleitores de renda mais baixa, que representam 47% da amostra. Nesse grupo, Lula soma 52%, contra 41% de Flávio. Entre os entrevistados com menor escolaridade, o petista registra 55%, ante 41% do adversário.
Os católicos, que correspondem a 49% dos participantes, também demonstram preferência pelo atual presidente: 53% declaram intenção de votar em Lula, enquanto 41% escolhem Flávio. No Nordeste, região que representa 27% dos entrevistados, o placar é de 61% a 35% para o petista.
Resultado do primeiro turno impulsiona campanha de Flávio
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O resultado consolidou a dianteira do senador na disputa e alterou o cenário apresentado pelas pesquisas anteriores, nas quais os dois candidatos apareciam em posições mais próximas ou com vantagem para o presidente.
Na reta final antes da votação, o Datafolha indicava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 42%. O resultado das urnas, porém, colocou o senador à frente do petista.
Após a votação, Flávio passou a adotar um discurso de confiança na vitória e ampliou sua articulação política. O candidato recebeu manifestações de apoio de partidos como PP e Republicanos, além do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. O PSD, partido de Caiado, não formalizou apoio a nenhum dos dois presidenciáveis.
Outro fator favorável ao senador é a possibilidade de atrair eleitores que optaram por candidatos derrotados na primeira etapa da eleição. Segundo o Datafolha, 46% dos eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado e Romeu Zema (Novo) afirmam que pretendem votar em Flávio no segundo turno.
Entre os eleitores desses candidatos, 32% declaram preferência por Lula, enquanto 15% pretendem votar em branco ou anular o voto.
Flávio apresenta propostas para o próximo governo
Com o resultado do primeiro turno, o candidato do PL passou a divulgar publicamente propostas para um eventual governo. Entre os temas mencionados estão mudanças constitucionais relacionadas ao sistema político e ao Judiciário, além da suspensão da reforma tributária, cuja implementação está prevista para ocorrer gradualmente a partir de 2027.
Flávio também defendeu o fim da reeleição e a possibilidade de ampliar os mandatos do Executivo. Segundo o texto de seu programa de governo registrado no TSE, algumas dessas propostas já estavam contempladas no documento, embora não tivessem recebido o mesmo destaque durante a campanha anterior ao primeiro turno.
As mudanças relacionadas ao Judiciário também fazem parte de uma pauta defendida pelo grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, em meio aos conflitos com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Abstenção preocupa campanha de Lula
Do lado petista, um dos principais desafios para a segunda etapa da eleição é ampliar a participação dos eleitores. No primeiro turno, a abstenção chegou a 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros aptos a votar.
O índice representa um fator relevante para Lula porque o presidente tem desempenho melhor entre grupos que historicamente apresentam maior dificuldade de comparecimento às urnas, como eleitores com menor escolaridade.
Após o resultado de domingo, o petista reconheceu a derrota na primeira etapa e destacou a necessidade de mobilizar sua base eleitoral. A transferência de votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno também será decisiva para a estratégia da campanha.
Nos dias seguintes à votação, surgiram críticas entre aliados sobre a condução da campanha e a avaliação do governo. Na quarta-feira (7), Lula classificou sua jornada eleitoral como a mais desorganizada das sete disputas presidenciais das quais participou desde 1989.
Enquanto o entorno do presidente discute os rumos da campanha, o segundo turno também deve ser marcado por temas econômicos e trabalhistas. Entre eles está a proposta de redução da jornada de trabalho 6×1, que o governo Lula apoia e que deverá ser discutida no Senado.
Horário eleitoral começa nesta sexta-feira
O tempo reduzido até a votação impõe desafios adicionais às duas campanhas. A propaganda eleitoral gratuita do segundo turno começa nesta sexta-feira (9), enquanto a votação está marcada para 25 de outubro, daqui a três domingos.
Lula também busca ampliar sua presença nas redes sociais e encontrar uma estratégia capaz de recuperar o terreno perdido na primeira etapa da eleição. Para Flávio, o objetivo é manter a mobilização do eleitorado e consolidar o apoio recebido após o resultado das urnas.
O histórico eleitoral brasileiro acrescenta outro elemento à disputa: desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a eleição presidencial.
Em 2022, quando disputou o segundo turno contra Jair Bolsonaro, Lula iniciou a etapa final com 53% dos votos válidos, ante 47% do adversário, segundo a pesquisa Datafolha da época. O petista venceu a eleição por uma diferença de 1,8 ponto percentual, resultado que demonstra como a vantagem registrada nas pesquisas pode diminuir ao longo da campanha.
Como foi feita a pesquisa Datafolha
O levantamento foi realizado pelo Datafolha nos dias 6 e 7 de outubro, em meio à reorganização das campanhas após o primeiro turno. A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela TV Globo.
Ao todo, foram entrevistados 2.520 eleitores em 153 municípios. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02949/2026 e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.