Curso ensina acolhimento a crianças vítimas de violência

Lançada pelo Centro Marista de Defesa da Infância e Farol 1817, formação gratuita orienta adultos sobre relatos de violência

Curso ensina acolhimento a crianças vítimas de violência

Crédito: Divulgação

Dados do painel Disque 100 (Disque Direitos Humanos), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registraram mais de 53 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no primeiro semestre de 2026.

O indicador representa uma alta de quase 60% em comparação ao mesmo período de 2025. Diante desse cenário, em que o relato espontâneo da vítima a um adulto de confiança é frequentemente a porta de entrada para a interrupção do ciclo de abusos, o Centro Marista de Defesa da Infância (CMDI) e a plataforma Farol 1817 lançaram o curso on-line e gratuito Revelação Espontânea.

A iniciativa conta com o apoio institucional do Centro Universitário Católica de Santa Catarina e da FTD Educação, visando capacitar educadores, familiares e agentes de proteção para acolher revelações sem revitimizar a criança.

O que É a Revelação Espontânea e os Riscos da Escuta Inadequada

Diferente do depoimento especial ou da escuta especializada, procedimentos formais conduzidos por órgãos policiais ou judiciários, a revelação espontânea ocorre de modo inesperado no cotidiano, durante uma aula, brincadeira ou conversa informal.

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Especialistas alertam que reações como demonstração de choque, questionamentos repetitivos, interrupções ou promessas de segredo absoluto podem constranger a vítima, contaminar a narrativa e comprometer os trâmites legais e de proteção.

A analista de projetos do Centro Marista de Defesa da Infância, Cecília Landarin, reforça a responsabilidade do adulto que recebe o relato:

“Quando uma criança decide contar que sofre violência, ela deposita sua confiança naquele adulto. A forma como esse primeiro relato é acolhido pode influenciar todo o processo de proteção. Saber escutar sem julgamentos, evitar perguntas inadequadas e realizar os encaminhamentos corretos é essencial para garantir os direitos de crianças e adolescentes”, pontua Cecília Landarin.

Estrutura Pedagógica, Público-Alvo e Legislação

A formação é estruturada em 23 aulas gravadas, somando 22 horas de carga horária com materiais complementares elaborados por especialistas em direito, psicologia, educação e proteção integral da infância.

O conteúdo do curso aborda os seguintes eixos práticos:

  1. Protocolo de Acolhimento: Técnicas de escuta atenta, postura adequada e o que perguntar e evitar no momento da revelação;
  2. Fluxo na Rede de Proteção: Diferenciação clara entre responsabilidades individuais dos profissionais e o papel institucional das entidades;
  3. Encaminhamentos Legais: Orientações sobre o acionamento de Conselhos Tutelares, redes de saúde e assistência social, alinhados ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao ECA Digital.

A capacitação é direcionada a professores, gestores escolares, conselheiros tutelares, equipes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), catequistas, agentes comunitários e integrantes do Sistema de Garantia de Direitos.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 29/08/2026 13:16
  • Alterado: 29/08/2026 13:16
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria