Corinthians pede tempo de transição para clubes se adaptarem sem bets
Atualmente, o Corinthians tem um contrato suspenso com a Esportes da Sorte, estimado em aproximadamente R$ 150 milhões por ano.
- Publicado: 03/11/2026 17:33
- Alterado: 03/11/2026 17:33
- Autor: Joao
O Corinthians participou, nesta terça-feira, de uma audiência pública sobre a Medida Provisória que trata da regulamentação das apostas esportivas no Brasil. O encontro foi conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator do tema.
Durante a discussão, o clube pediu que seja estabelecido um período de transição para uma eventual mudança nas regras que afetam os contratos de patrocínio com empresas do setor. O diretor jurídico Pedro Soares argumentou que a interrupção repentina desses acordos pode comprometer o planejamento financeiro das instituições e dificultar o cumprimento de obrigações já assumidas.
Atualmente, o Corinthians tem um contrato suspenso com a Esportes da Sorte, estimado em aproximadamente R$ 150 milhões por ano.
Na manifestação apresentada ao tribunal, o clube defendeu que qualquer alteração seja acompanhada de uma etapa de adaptação. O Corinthians ressaltou que a retirada imediata dessas receitas pode atingir não apenas o futebol profissional, mas também outras categorias e modalidades mantidas pela instituição.
Outro ponto levantado foi o impacto sobre compromissos financeiros já firmados. Segundo a manifestação, o Corinthians realizou acordos, inclusive com a União, cujos pagamentos podem ficar comprometidos diante da redução orçamentária e que são prejudicados pelo fato de que os contratos com jogadores têm de ser pagos até o final deles em caso de rescisão.

Corinthians admite riscos das apostas, mas defende participação dos clubes
O superintendente de marketing, Vinicius Manfredi, também participou da discussão. Ele afirmou que o Corinthians e outros clubes brasileiros podem atuar como parceiros em campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas.
O representante reconheceu a existência de problemas relacionados à ludopatia, mas defendeu que as instituições esportivas sejam incluídas no debate e possam contribuir com iniciativas de prevenção.
Governo defende medidas contra danos das apostas
O governo federal sustenta que as limitações têm como objetivo proteger os consumidores e reduzir problemas relacionados ao jogo compulsivo, como endividamento e impactos à saúde. Também argumenta que as medidas são necessárias para combater atividades ilícitas, incluindo a lavagem de dinheiro.
A Medida Provisória nº 1.394/2026 também integra o debate e ainda depende de análise do Congresso Nacional.
Abaixo-assinado contra a volta das bets ultrapassa 1 milhão de assinaturas
Paralelamente à discussão no STF, uma mobilização contrária à retomada da publicidade e dos patrocínios de empresas de apostas no futebol brasileiro reúne mais de 1,5 milhão de assinaturas.
O movimento disponibiliza um abaixo-assinado pela plataforma Bets Nunca Mais, no qual os participantes manifestam oposição à volta das casas de apostas às relações comerciais do esporte.