Coreia do Norte amplia espionagem e reforça poder militar
Coreia do Norte anuncia fortalecimento da espionagem militar, modernização das forças armadas e ampliação de bases navais
- Publicado: 11/07/2026 09:56
- Alterado: 11/07/2026 10:00
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: KCNA
A Coreia do Norte anunciou um novo pacote de medidas para fortalecer sua capacidade militar e ampliar as operações de espionagem, em mais um movimento de endurecimento da política de defesa do regime de Kim Jong Un. A decisão foi divulgada pela agência estatal KCNA após uma reunião da Comissão Militar Central do partido governista, realizada na quinta-feira (9).
Segundo o governo, a Coreia do Norte pretende modernizar a infraestrutura técnica dos sistemas de combate, acelerar a construção de novas bases navais e ampliar as atribuições do Escritório Geral de Reconhecimento e Inteligência, principal órgão de espionagem militar do país.
Coreia do Norte amplia estrutura de espionagem
A expansão do serviço de inteligência é vista por especialistas como mais um passo da Coreia do Norte para intensificar a vigilância sobre seus adversários, principalmente a Coreia do Sul e os Estados Unidos.
De acordo com Hong Min, pesquisador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, a medida reforça a estratégia de Pyongyang de tratar as duas Coreias como “dois Estados hostis”.
“A inteligência militar assume um significado diferente em uma abordagem de Estado para Estado, porque atividades de espionagem direcionadas a outro Estado soberano podem ter implicações diplomáticas”, afirmou o especialista.
Kim Jong Un defende Exército mais forte
Durante a reunião, Kim Jong Un declarou que a paz e a segurança da Coreia do Norte só poderão ser garantidas por meio de um “Exército poderoso” e da neutralização de todas as ameaças externas.
Desde o fracasso da cúpula realizada em 2019 com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o regime norte-coreano passou a adotar uma postura ainda mais rígida em relação ao seu programa nuclear.
A Coreia do Norte se considera atualmente um “Estado nuclear irreversível” e continua sob diversas sanções internacionais impostas em razão do desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos.
Espionagem militar ganhou força com apoio à Rússia
Nos últimos anos, a Coreia do Norte também ampliou sua cooperação militar com a Rússia, enviando tropas para apoiar Moscou na guerra contra a Ucrânia. Em troca, analistas avaliam que Pyongyang busca acesso a tecnologias militares avançadas, principalmente na área de satélites de vigilância.
Em 2023, a Coreia do Norte conseguiu colocar em órbita seu primeiro satélite espião militar. Segundo o regime, o equipamento é capaz de fornecer imagens de instalações militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.
O Ministério da Unificação da Coreia do Sul informou que acompanha de perto qualquer indício de ampliação das atividades da agência de inteligência norte-coreana.
Histórico de operações de inteligência
Desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953, a Coreia do Norte mantém um histórico de operações de espionagem que incluem infiltração de agentes, coleta de informações estratégicas e até assassinatos de opositores.
Um dos casos mais conhecidos foi o de Jeong Su Il, agente infiltrado na Coreia do Sul em 1984 utilizando uma identidade falsa. Após ser descoberto, ele foi preso e, anos depois, tornou-se pesquisador especializado na história da Rota da Seda.
Com o novo plano anunciado por Kim Jong Un, a Coreia do Norte sinaliza que pretende reforçar ainda mais sua estrutura militar e de inteligência, em um cenário de crescente tensão geopolítica na Península Coreana e no leste asiático.