Copa do Mundo: UEFA anuncia boicote à FIFA

Planos de Infantino irritaram os europeus

Reprodução / Instagram @gianni_infantino

Crédito: Reprodução / Instagram @gianni_infantino

A Uefa oficializou nesta quinta-feira (30) o rompimento com a Fifa. Em reunião de emergência com suas 55 federações filiadas, a entidade europeia decidiu que nenhuma seleção do continente participará de qualquer torneio organizado pela Fifa enquanto estiver em discussão o projeto de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que organizaria a Copa e abriria o capital das competições para investidores privados.

O plano prevê a venda de participação acionária que pode ultrapassar R$ 20 bilhões. A Fifa sustenta que parte dos recursos irrigaria as seleções nacionais e que o modelo destravaria o potencial comercial de patrocínios e direitos de transmissão. Para avançar, no entanto, precisa do aval dos países-membros. A Uefa respondeu com um ultimato.

“Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA competirá em qualquer torneio da FIFA enquanto essas propostas estiverem em vigor, a menos que sejam completamente retiradas e haja garantias vinculativas de que a FIFA não permitirá mais a propriedade privada em sua governança ou competições”, diz o comunicado oficial.

A íntegra da nota da Uefa sobre a Copa do Mundo

A UEFA e suas 55 federações associadas rejeitam, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da entidade para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados esportivos do futebol, construído ao longo de gerações por jogadores, seleções e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada ao limite da aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de gerir o esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

As associações nacionais de todo o mundo agora se veem diante de um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança por intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do esporte global.

Nossa oposição vai muito além do processo. O momento em que investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial se torna uma obrigação permanente. A partir desse momento, toda decisão sobre o calendário internacional, formatos de competição e o futuro do futebol não será mais guiada pelo que é melhor para o esporte, mas pelo que é melhor para os acionistas.

Esse modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo primeiro dever é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das associações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem se tornar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em troca de ganhos financeiros.

A posição da Europa é clara. Nunca emprestaremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender o que apenas detém em confiança para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA (incluindo a Copa) enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam abandonadas em sua totalidade e garantias vinculativas sejam dadas de que a FIFA nunca mais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.

Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas associações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.

Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a comprometer. Este é um desses momentos.

Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. Enquanto a Europa tiver voz, a Copa nunca estará à venda.

  • Publicado: 30/07/2026 13:23
  • Alterado: 30/07/2026 13:23
  • Autor: Redação
  • Fonte: Agência Somos FC