Conta de luz vai ficar mais cara; Aneel aprova reajuste de 10,18% na Enel SP
Agência reguladora aprova elevação média superior à inflação. Novas tarifas entram em vigor em 4 de julho para milhões de paulistas.
- Publicado: 01/07/2026 07:16
- Alterado: 01/07/2026 07:16
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Aneel
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou por unanimidade o reajuste tarifário anual da Enel SP. A decisão eleva as contas de energia em 10,18% para 8,92 milhões de unidades consumidoras localizadas na região metropolitana de São Paulo. As novas tarifas começam a valer a partir do dia 4 de julho.
Consumidores de baixa tensão enfrentam um reajuste médio de 8,97%. O grupo abrange a maior parte das residências e dos pequenos comércios da capital e arredores. O segmento estritamente residencial sobe 9,02%, enquanto as indústrias e grandes empresas de alta tensão amargam um aumento de 15%.
O índice homologado pela agência reguladora supera o dobro da inflação projetada para o período. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano na casa dos 4,9%, evidenciando o peso da energia no orçamento doméstico e corporativo.
O que compõe o reajuste da Enel SP
A atualização reflete os custos de distribuição, compra de energia e encargos do setor elétrico. “A maior parte da alta decorre de custos que não permanecem com a distribuidora”, explicou Agnes da Costa, diretora da Aneel e relatora do processo.
Despesas operacionais com compra de energia e transmissão compõem a chamada Parcela A. O bloco representa 72,27% dos custos totais da concessionária e responde por 3,34 pontos percentuais do reajuste. A Parcela B engloba os custos próprios da operação paulista.
A manutenção da infraestrutura e os serviços diretos da Enel SP adicionaram apenas 0,37 ponto percentual à conta. O verdadeiro impacto financeiro veio dos encargos setoriais e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que encareceram a fatura final.
Impacto da transmissão e componentes financeiros
Os custos de transmissão pressionaram a tarifa com 1,34 ponto percentual. O movimento reflete o encarecimento das tarifas de uso do sistema de transmissão (TUST) e o aumento da demanda contratada pelas distribuidoras na região metropolitana.
Componentes financeiros adicionaram 4,03 pontos percentuais ao ciclo tarifário. A Conta de Compensação de Valores da Parcela A (CVA) liderou o impacto, operando como um mecanismo para equilibrar as diferenças entre os custos estimados e reais de aquisição de energia.
Créditos tributários de PIS/Cofins amorteceram levemente o impacto financeiro, reduzindo o índice em 1,10 ponto percentual. A decisão da diretoria colegiada consolida os novos valores e encerra o ciclo tarifário deste ano para os clientes da Enel SP.