Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta pesquisa
Índice da Ipsos-Ipec chegou a 0,680 em 2026, enquanto grupo com alto conservadorismo passou de 49% para 55% da população.
- Publicado: 13/10/2026 14:48
- Alterado: 13/10/2026 14:48
- Autor: Thiago Antunes
O conservadorismo em pautas de costumes e valores morais voltou a crescer no Brasil em 2026 e alcançou o maior patamar desde 2018, segundo a nova edição do Índice de Conservadorismo de Costumes da Ipsos-Ipec. O indicador chegou a 0,680, em uma escala de zero a um, na qual zero representa uma posição totalmente progressista e um corresponde ao conservadorismo máximo.
O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 13 de setembro de 2026, com 2 mil entrevistas em 130 municípios brasileiros. A pesquisa considera as opiniões sobre temas como aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, casamento entre pessoas do mesmo sexo e prisão perpétua para crimes hediondos.
Em 2025, o índice havia recuado para 0,652. Com a alta registrada neste ano, o indicador voltou a se aproximar dos resultados de 2016, quando chegou a 0,686, e de 2018, quando atingiu 0,689, o maior valor da série histórica.
A proporção de brasileiros classificados com alto grau de conservadorismo também aumentou. O grupo passou de 49% em 2025 para 55% em 2026, enquanto a parcela com nível médio caiu de 44% para 38%. Já o segmento com baixo conservadorismo recuou de 8% para 7%.
Pena de morte e segurança pública concentram altas

As pautas relacionadas à segurança pública registraram crescimento no apoio popular em comparação com o levantamento anterior. Entre os temas avaliados, a pena de morte apresentou uma das mudanças mais expressivas.
Os resultados de 2026 foram:
- Prisão perpétua para crimes hediondos: 78% de apoio, alta de 6 pontos percentuais.
- Redução da maioridade penal: 71% de apoio, avanço de 6 pontos percentuais.
- Pena de morte: 52% de apoio, aumento de 9 pontos percentuais.
No caso da pena de morte, o resultado representa uma inversão em relação a 2025. Naquele ano, 49% dos entrevistados eram contrários à medida, enquanto 43% se declaravam favoráveis. Em 2026, o apoio chegou a 52%, e a oposição caiu para 40%. É o maior nível de favorabilidade à pena de morte registrado pela pesquisa.
Aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo

Em outros temas de costumes, as mudanças foram menores. A pesquisa identificou uma aproximação entre as parcelas favoráveis e contrárias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O apoio passou de 38% em 2025 para 41% em 2026. No mesmo período, a oposição recuou de 47% para 41%. Apesar da mudança, a favorabilidade permanece abaixo dos 44% registrados entre 2021 e 2023.
A legalização do aborto, por sua vez, continua com baixa adesão. Apenas 17% dos brasileiros se declararam favoráveis à medida, enquanto 74% se posicionaram contra. Os resultados mantêm um cenário semelhante ao observado nos levantamentos anteriores.
Norte, Centro-Oeste e jovens adultos registram avanços

O aumento do conservadorismo foi observado em quase todos os segmentos sociodemográficos analisados, mas com intensidades diferentes. A única região a apresentar recuo foi o Sudeste, cujo índice passou de 0,669 para 0,659.
Entre os grupos com maiores variações em relação a 2025, destacam-se:
- Moradores do Norte e Centro-Oeste: o indicador subiu de 0,643 para 0,710, avanço de 0,067.
- Pessoas de 25 a 34 anos: o índice passou de 0,643 para 0,696, alta de 0,053.
- Moradores de capitais: o resultado aumentou de 0,637 para 0,685, variação de 0,048.
- Pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos: o indicador avançou de 0,665 para 0,708, alta de 0,043 e maior patamar da série para esse segmento.
- Mulheres: após contribuírem para a redução do índice em 2025, passaram de 0,619 para 0,650 em 2026, aumento de 0,031.
Os dados mostram que a alta do conservadorismo em pautas de costumes não se restringiu a um único perfil da população. O avanço ocorreu em diferentes faixas etárias, grupos de renda e regiões, enquanto o apoio a temas específicos apresentou variações distintas.