Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta pesquisa

Índice da Ipsos-Ipec chegou a 0,680 em 2026, enquanto grupo com alto conservadorismo passou de 49% para 55% da população.

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta pesquisa

Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

O conservadorismo em pautas de costumes e valores morais voltou a crescer no Brasil em 2026 e alcançou o maior patamar desde 2018, segundo a nova edição do Índice de Conservadorismo de Costumes da Ipsos-Ipec. O indicador chegou a 0,680, em uma escala de zero a um, na qual zero representa uma posição totalmente progressista e um corresponde ao conservadorismo máximo.

O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 13 de setembro de 2026, com 2 mil entrevistas em 130 municípios brasileiros. A pesquisa considera as opiniões sobre temas como aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, casamento entre pessoas do mesmo sexo e prisão perpétua para crimes hediondos.

Em 2025, o índice havia recuado para 0,652. Com a alta registrada neste ano, o indicador voltou a se aproximar dos resultados de 2016, quando chegou a 0,686, e de 2018, quando atingiu 0,689, o maior valor da série histórica.

A proporção de brasileiros classificados com alto grau de conservadorismo também aumentou. O grupo passou de 49% em 2025 para 55% em 2026, enquanto a parcela com nível médio caiu de 44% para 38%. Já o segmento com baixo conservadorismo recuou de 8% para 7%.

Pena de morte e segurança pública concentram altas

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta pesquisa
Tânia Rêgo/Agência Brasil

As pautas relacionadas à segurança pública registraram crescimento no apoio popular em comparação com o levantamento anterior. Entre os temas avaliados, a pena de morte apresentou uma das mudanças mais expressivas.

Os resultados de 2026 foram:

  • Prisão perpétua para crimes hediondos: 78% de apoio, alta de 6 pontos percentuais.
  • Redução da maioridade penal: 71% de apoio, avanço de 6 pontos percentuais.
  • Pena de morte: 52% de apoio, aumento de 9 pontos percentuais.

No caso da pena de morte, o resultado representa uma inversão em relação a 2025. Naquele ano, 49% dos entrevistados eram contrários à medida, enquanto 43% se declaravam favoráveis. Em 2026, o apoio chegou a 52%, e a oposição caiu para 40%. É o maior nível de favorabilidade à pena de morte registrado pela pesquisa.

Aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo

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(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em outros temas de costumes, as mudanças foram menores. A pesquisa identificou uma aproximação entre as parcelas favoráveis e contrárias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O apoio passou de 38% em 2025 para 41% em 2026. No mesmo período, a oposição recuou de 47% para 41%. Apesar da mudança, a favorabilidade permanece abaixo dos 44% registrados entre 2021 e 2023.

A legalização do aborto, por sua vez, continua com baixa adesão. Apenas 17% dos brasileiros se declararam favoráveis à medida, enquanto 74% se posicionaram contra. Os resultados mantêm um cenário semelhante ao observado nos levantamentos anteriores.

Norte, Centro-Oeste e jovens adultos registram avanços

Geração Z - Jovens
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O aumento do conservadorismo foi observado em quase todos os segmentos sociodemográficos analisados, mas com intensidades diferentes. A única região a apresentar recuo foi o Sudeste, cujo índice passou de 0,669 para 0,659.

Entre os grupos com maiores variações em relação a 2025, destacam-se:

  • Moradores do Norte e Centro-Oeste: o indicador subiu de 0,643 para 0,710, avanço de 0,067.
  • Pessoas de 25 a 34 anos: o índice passou de 0,643 para 0,696, alta de 0,053.
  • Moradores de capitais: o resultado aumentou de 0,637 para 0,685, variação de 0,048.
  • Pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos: o indicador avançou de 0,665 para 0,708, alta de 0,043 e maior patamar da série para esse segmento.
  • Mulheres: após contribuírem para a redução do índice em 2025, passaram de 0,619 para 0,650 em 2026, aumento de 0,031.

Os dados mostram que a alta do conservadorismo em pautas de costumes não se restringiu a um único perfil da população. O avanço ocorreu em diferentes faixas etárias, grupos de renda e regiões, enquanto o apoio a temas específicos apresentou variações distintas.

Thiago Antunes

  • Publicado: 13/10/2026 14:48
  • Alterado: 13/10/2026 14:48
  • Autor: Thiago Antunes