Confiança do comércio paulistano recua 5,4% em um ano

Mesmo com inflação controlada, endividamento e crédito caro mantêm os empresários da capital em alerta para o segundo semestre.

Confiança do comércio paulistano recua 5,4% em um ano

Crédito: Divulgação

O comércio paulistano permanece estagnado na zona de pessimismo pelo quinto mês consecutivo. O levantamento de agosto da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que a confiança do setor recuou 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A marca de 94,4 pontos no Índice de Confiança do Empresário do Comércio sinaliza forte apreensão. Um cenário levemente menos inflacionário permitiu a segunda alta consecutiva no curto prazo, mas insuficiente para reverter o quadro geral de insegurança econômica.

Juros afetam investimentos no comércio paulistano

As taxas elevadas e o endividamento corporativo paralisam o comércio paulistano. O nível de investimento do setor atingiu 96,8 pontos em agosto, o pior registro da série histórica desde agosto de 2021.

O empresariado encontra profunda dificuldade para financiar expansões ou modernizar estruturas. Projetos que dependem de crédito esbarram no custo do dinheiro, forçando uma postura conservadora nas decisões de longo prazo das companhias.

A avaliação das condições atuais da economia freou uma sequência de quatro quedas mensais. O indicador de atividade atual marcou estabilidade com 69,1 pontos, mas carrega uma contração de 6,5% na comparação interanual.

Desafios de estoque e diferenças operacionais

O desequilíbrio entre prateleiras e vendas acende um alerta imediato nas operações físicas. A situação dos estoques caiu para 88,8 pontos, o nível mais crítico medido pela pesquisa desde abril de 2023.

O tamanho das companhias dita a capacidade de resistir ao aperto financeiro prolongado. Organizações com mais de 50 funcionários ainda respiram fora da zona de pessimismo absoluto, registrando 105,8 pontos de confiança.

As corporações maiores do comércio paulistano possuem acesso facilitado às linhas de crédito e conseguem diluir choques estruturais. Pequenas lojas enfrentam uma realidade bem mais dura na gestão de caixa, marcando apenas 94,1 pontos no indicador de agosto.

Perspectivas para contratações e fim de ano

A expectativa de melhora nas vendas do segundo semestre sustenta uma leve reação no mercado de trabalho. O planejamento para datas fundamentais do varejo impulsionou a intenção de contratar funcionários para 114 pontos.

“A menor pressão sobre os preços gerou melhores expectativas quanto à continuidade do ciclo de redução da taxa de juros”, destaca o relatório oficial divulgado pela entidade paulista.

O Índice de Expansão do Comércio registrou retração pelo sexto mês consecutivo, travando a abertura de novas lojas. Sem uma redução consistente no custo de financiamento, o comércio paulistano continuará operando com extrema cautela e orçamentos congelados até o fim do ano.

Thiago Antunes

  • Publicado: 23/09/2026 09:32
  • Alterado: 23/09/2026 09:32
  • Autor: Thiago Antunes