Comprar pelo aplicativo é mesmo mais caro?

Comprar pelo aplicativo permite comparar preços e economizar tempo, enquanto deslocamento, combustível e filas também pesam no custo final do supermercado

Comprar pelo aplicativo é mesmo mais caro?

Crédito: (Imagem/Magnific)

Existe uma percepção bastante comum quando o assunto é supermercado: comprar pelo aplicativo seria, necessariamente, mais caro do que ir até a loja física. Mas será que essa comparação considera todos os custos envolvidos?

Curiosamente, esse raciocínio não costuma ser aplicado a outras categorias de consumo. Pouca gente compra uma televisão, um celular, fones de ouvido ou uma fritadeira elétrica sem antes pesquisar preços na internet. Comparar ofertas já faz parte da rotina do consumidor. Então por que, justamente na compra do mês, ainda insistimos em olhar apenas para o preço na gôndola, quando a tecnologia dos aplicativos permite comparar diferentes supermercados em poucos minutos?

Quando falamos sobre compras do dia a dia, especialmente no varejo alimentar, o fator preço continua sendo decisivo. Afinal, a alimentação representa uma parcela significativa do orçamento das famílias brasileiras. Mas o custo de uma compra vai muito além do valor exibido na etiqueta.

O tempo também entra na conta

Vale refletir sobre tudo o que envolve essa decisão. Ir ao mercado significa deslocamento, combustível, estacionamento, pedágio em alguns casos e filas. Nas grandes cidades, uma ida ao supermercado pode facilmente consumir uma ou duas horas do dia. Agora imagine transformar esse tempo em uma conta simples: quanto vale uma ou duas horas da sua rotina? Quanto desse tempo poderia ser dedicado ao trabalho, à família, ao descanso ou ao lazer? Em um cenário em que o tempo se tornou um dos ativos mais valiosos, esse também é um custo que merece entrar na equação.

O comércio eletrônico brasileiro mostra que esses fatores impulsionaram o setor. Em 2025, o setor movimentou cerca de R$ 235 bilhões e deve crescer aproximadamente 10% em 2026, podendo alcançar R$ 379 bilhões até 2030, segundo projeções da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-Commerce (Abiacom). Mais do que números, esse avanço mostra que comprar online, através de aplicativos, deixou de ser uma tendência para se consolidar como parte da rotina dos brasileiros.

Também é importante trazer para essa reflexão uma das maiores vantagens do ambiente digital: a conveniência aliada ao poder de escolha. Em poucos minutos é possível comparar preços entre diferentes supermercados, acompanhar promoções, avaliar ofertas e decidir onde comprar com muito mais informação. No universo físico, fazer essa mesma pesquisa exigiria percorrer diferentes estabelecimentos, ampliando ainda mais o tempo e os gastos envolvidos.

Conveniência e logística mudam a compra pelo aplicativo

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(Imagem/Freepik)

Outro aspecto que evoluiu significativamente é a logística. O consumidor já não associa a compra online a longos prazos de entrega. O avanço do quick commerce e o fortalecimento das redes de abastecimento permitem receber produtos de supermercado, farmácia e itens essenciais no mesmo dia ou até em poucos minutos. Afinal, se estou com dor de cabeça e preciso pedir um remédio, eu não posso aguardar três dias, e é aí que uma rede com boa cobertura logística faz a diferença para que eu receba o meu remédio em 20 minutos. Essa agilidade amplia o papel do comércio digital, que deixa de atender apenas a compras planejadas para também resolver necessidades imediatas do cotidiano.

Por outro lado, não é toda compra que é urgente. Se o consumidor pode esperar e prefere agendar a entrega da ração do pet que vai acabar daqui a alguns dias, o lojista também consegue planejar essa entrega com mais tempo, endereçando, inclusive, mais de uma entrega dentro do mesmo percurso, otimizando tempo e tornando o custo desse frete ainda mais competitivo.

Outro ponto fundamental é entender que físico e digital não competem entre si. Eles cumprem funções diferentes na jornada de consumo. Há momentos em que visitar o supermercado faz sentido, seja para conhecer novidades, escolher pessoalmente determinados produtos ou transformar a compra em uma experiência. Em outras ocasiões, a conveniência fala mais alto. A reposição dos itens da semana ou aquela compra planejada que precisa caber entre reuniões encontra no aplicativo uma solução muito mais eficiente.

Não se trata de substituir um canal pelo outro, mas de utilizar cada um na situação em que entrega mais valor. Nesse contexto, à medida que a experiência digital evolui, cresce também a confiança do consumidor. Hoje, as plataformas oferecem mais informações sobre os produtos, processos de seleção cada vez mais criteriosos, entregas rápidas e suporte quando necessário. O resultado é que a compra online deixa de ser uma alternativa ocasional para se consolidar como um hábito.

O futuro do varejo integra físico e digital

O futuro do varejo não será definido pela disputa entre o físico e o digital, mas pela capacidade de integrar ambos em uma experiência cada vez mais simples, transparente e conveniente. O consumidor já começou a mostrar esse caminho. Cabe às empresas continuarem evoluindo para oferecerem diferentes formas de compra, respeitando a rotina, as necessidades e as escolhas de cada cliente.

Talita Poleto

Talita Poleto - 99Compras - Compras por Aplicativo
Talita Poleto, diretora comercial da 99Compras (Divulgação)

Talita é Diretora Comercial da 99Compras, com mais de 15 anos de experiência em liderança comercial, estratégia e desenvolvimento de negócios.

  • Publicado: 25/08/2026 19:21
  • Alterado: 25/08/2026 19:21
  • Autor: Talita Poleto
  • Fonte: Assessoria