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Com enredo de mitologia africana, Viradouro conquista Carnaval 2024 do Rio de Janeiro

Sob os cuidados do carnavalesco Tarcísio Zanon, a Viradouro mergulhou no cosmo do vodum, tradição religiosa da Costa Ocidental africana que tem suas raízes entre o povo Jeje e Uidá.

  • Data: 14/02/2024 17:02
  • Alterado: 14/02/2024 17:02
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS - Yuri Eiras e Camila Zarur
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Crédito:Reprodução/Unidos do Viradouro/ @rsantosarantes/Facebook

A escola Unidos do Viradouro conquistou nesta quarta-feira (14) o seu terceiro título de campeã do Carnaval carioca. A escola de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, foi a última a desfilar no Grupo Especial e fez um desfile tecnicamente perfeito ao levar para a Sapucaí o enredo “Arroboboi Dangbé”, sobre o culto vodum às serpentes.

Sob os cuidados do carnavalesco Tarcísio Zanon, a Viradouro mergulhou no cosmo do vodum, tradição religiosa da Costa Ocidental africana que tem suas raízes entre o povo Jeje e Uidá. O enredo saudou o vodum, palavra que significa espírito na língua bês, da serpente.

Antes do início da apuração, o locutor das notas Jorge Perlingeiro anunciou que quatro escolas entraram com pedido de punição contra a Viradouro por, supostamente, usar mais de 15 pessoas em sua comissão de frente. A decisão só será divulgada nesta quinta-feira (15), o que poderá mudar o resultado da apuração. A escola não quis saber e festejou muito a conquista.

No desfile da Viradouro, a divindade foi muito bem representada na comissão de frente. A apresentação, considerada uma das mais surpreendentes do Carnaval, trazia uma serpente que rastejava pela pista da Sapucaí. O efeito do elemento cenográfico acontecia com o auxílio de uma pessoa, deitada sobre uma estrutura com rodas.

Boa parte das alegorias da Viradouro tinham elementos que giravam em círculo, representando o movimento das serpentes. No refrão do samba-enredo, o vodum serpente era mais uma vez louvado: Arroboboi significa “salve o espírito infinito da serpente”.

Ao finalizar o desfile da última noite do Carnaval carioca, a agremiação foi seguida pelo arrastão da Sapucaí -isto é, o público deixou as frisas, camarotes e arquibancadas para invadir a avenida. Em uma espécie de canto premonitório, os presentes cantavam o samba a capela: “Arroboboi dangbé, desfila seu axé na alma e no couro. Derrama nesse chão a sua proteção pra vitória da Viradouro”.

A Viradouro foi uma das escolas que mais usaram a iluminação cênica, novidade do Carnaval deste ano. No momento em que as luzes da avenida apagavam, sobressaíam as cores neon das fantasias e do abre-alas, especialmente no primeiro setor do desfile.

A bateria puxada pelo mestre Ciça também trouxe força ao desfile e puxou o canto das arquibancadas para um samba difícil de cantar, visto a quantidade de palavras estrangeiras.

No resumo do enredo, a Viradouro escreveu: “Caminhos abertos, a predição do oráculo revela a permissão e prenuncia tempos de luta de vitória”. Mostrando desde as épicas batalhas da Costa ocidental da África às sacerdotisas voduns, dinastia de mulheres escolhidas por Dangbé, a escola de Niterói conquista o terceiro título e acalma os corações daqueles que esperavam a vitória desde o desfile de 2023, quando a agremiação conquistou o vice-campeonato.

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  • Data: 14/02/2024 05:02
  • Alterado: 14/02/2024 05:02
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS - Yuri Eiras e Camila Zarur









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