Cidades de São Paulo lideram ranking nacional de eficiência hídrica

Estudo do Trata Brasil aponta eficiência de São Paulo contra o desperdício de água; investimentos em IA reduzem perdas no estado

Crédito: Divulgação/Governo de SP

Sete municípios do estado de São Paulo figuram entre os 12 melhores do país no controle de perdas na rede de distribuição, de acordo com o estudo ‘Perdas de Água 2026‘, divulgado pelo Instituto Trata Brasil. O município de Suzano lidera a listagem nacional, seguido de perto por Santos. A capital de São Paulo, além de São Bernardo do Campo, Taubaté e Franca também registraram índices de desperdício significativamente menores do que a média do Brasil.

Enquanto a média nacional de desperdício na distribuição atinge 40%, a cidade de Suzano apresenta uma taxa de perda de apenas 1,27%, e Santos registra 5,35%. Os demais municípios paulistas destacados no levantamento apresentam índices na casa dos 11%. Os resultados coincidem com o ciclo recente de aportes financeiros no setor após a desestatização da Sabesp, cujos investimentos consolidados somaram R$ 15 bilhões no ano de 2025.

Tecnologias de inteligência artificial combatem o desperdício

A otimização dos sistemas de distribuição em São Paulo tem como pilar a aplicação de novas ferramentas tecnológicas. Os veículos operacionais que circulam pelas vias públicas utilizam câmeras integradas a algoritmos de Inteligência Artificial (IA). O sistema faz o mapeamento do pavimento asfáltico em tempo real para detectar deformações e indícios superficiais de rompimento de tubulações.

“A inteligência artificial transforma dados visuais em ações preventivas, permitindo que as equipes de engenharia corrijam vazamentos antes mesmo que eles causem interrupções no abastecimento”, aponta o relatório técnico da operadora.

O monitoramento estrutural em São Paulo também conta com suporte aeroespacial. Imagens captadas por satélites passam por processamento via IA para identificar focos de umidade no subsolo em profundidades de até três metros. Esse mecanismo viabiliza a localização de vazamentos invisíveis a olho nu em regiões com alta densidade urbana.

Monitoramento residencial e hidrômetros inteligentes

O consumidor final em São Paulo foi integrado ao fluxo de contenção de perdas por meio de canais automatizados. Uma ferramenta baseada em IA monitora o perfil de consumo residencial e emite alertas automáticos via aplicativo de mensagens caso o volume consumido supere em 30% a média habitual da residência.

Adicionalmente, um programa de modernização destinou R$ 3,8 bilhões para a instalação de hidrômetros inteligentes em diversas regiões de São Paulo. Os aparelhos transmitem leituras em tempo real e emitem avisos imediatos de irregularidades estruturais diretamente para os usuários, além de possuírem dispositivos mecânicos de alarme contra tentativas de furto ou fraudes no medidor.

Inspeção robotizada em galerias subterrâneas

Para varreduras em locais de difícil acesso, o ecossistema de saneamento de São Paulo incorporou um cão-robô telecomandado para vistorias subterrâneas. O dispositivo, batizado de DOM, percorre tubulações profundas em busca de microfissuras estruturais. O uso do robô preserva os técnicos de perigos biológicos ou atmosféricos, como gases confinados e ausência de oxigênio em galerias fechadas.

O plano plurianual de saneamento projeta R$ 260 bilhões em aportes até o ano de 2060 no estado de São Paulo, sendo R$ 70 bilhões programados para execução imediata até 2029, visando garantir a universalização do fornecimento de água tratada e a segurança hídrica na região.

  • Publicado: 20/06/2026 15:01
  • Alterado: 20/06/2026 15:01
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência SP