Ciclone ameaça Sul e Sudeste com chuva e ventos de até 110 km/h

Sistema extratropical ganha força na costa gaúcha e acende alerta para tempestades severas, queda de energia e alagamentos no país.

(Fernando Frazão/Agência Brasil)

Crédito: (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Um ciclone extratropical em rápida formação atinge os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil a partir desta quinta-feira (6). O sistema meteorológico provoca fortes temporais e ventos superiores a 100 km/h nas áreas mais afetadas, elevando o alerta estrutural para as defesas civis dessas regiões.

A área de baixa pressão atmosférica se organiza sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa do Rio Grande do Sul. A queda abrupta da pressão no centro do fenômeno em um intervalo inferior a 24 horas cria as condições exatas para a classificação de um ciclone bomba, cenário que intensifica a severidade climática de forma repentina.

Impactos do ciclone no Rio Grande do Sul e risco de tornado

O estado gaúcho sofre os maiores impactos diretos do ciclone logo nas primeiras horas do dia. O monitoramento aponta chuva contínua, queda de granizo e rajadas de vento entre 90 e 110 km/h em diversas regiões do estado.

A meteorologia alerta para o risco iminente de formação de tornados no oeste gaúcho e na região das Missões. Os volumes pluviométricos se concentram na metade oeste, no sul e no litoral, onde os acumulados de chuva podem atingir a marca de 100 milímetros em curto período, saturando o solo e provocando enxurradas e quedas de barreiras.

Reflexos no Sudeste e infraestrutura em risco

O avanço da frente fria associada ao sistema empurra as nuvens de tempestade para São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais. O território paulista sente os primeiros efeitos meteorológicos pela manhã, com as precipitações ganhando força e constância ao longo da tarde e da noite de quinta-feira.

A instabilidade climática gera preocupação quanto ao fornecimento de energia e manutenção de infraestruturas, especialmente nas regiões de Campinas, Sorocaba, na capital e na faixa litorânea. “Com essa intensidade dos ventos prevista, há possibilidade de estragos semelhantes aos registrados na semana passada nas áreas atingidas pelas rajadas mais fortes”, alerta o meteorologista da Climatempo, César Soares.

Dinâmica das frentes frias e rajadas máximas

A sexta-feira concentra o maior risco de ventania no Sudeste devido ao choque térmico provocado pelo deslocamento do ciclone. O litoral sul de São Paulo, a Serra do Mar e a Baixada Santista enfrentam as projeções mais críticas do evento, com ventos sustentados variando entre 90 e 110 km/h.

O Rio de Janeiro registra aumento gradual da instabilidade, com a situação se agravando entre a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira. Áreas elevadas da Região Serrana e da Costa Verde possuem potencial para registrar rajadas acima dos 100 km/h, enquanto a capital fluminense aguarda picos próximos aos 70 km/h.

Desdobramentos no Centro-Oeste e recuo do sistema

O Mato Grosso do Sul desponta como o território mais vulnerável na região Centro-Oeste, com as tempestades invadindo as faixas sul, sudoeste e sudeste do estado. A condição atmosférica traz potencial para precipitação de granizo e ventos próximos de 90 km/h no extremo sul sul-mato-grossense.

A dinâmica dos modelos de previsão indica que o ciclone deve se afastar de forma gradual em direção ao mar aberto durante o fim de semana. A massa de ar polar impulsionada pelo fenômeno garante a manutenção das baixas temperaturas nos estados afetados, consolidando a mudança no padrão climático brasileiro para os próximos dias.

  • Publicado: 06/08/2026 07:32
  • Alterado: 06/08/2026 07:32
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria