China critica veto dos EUA à IA DeepSeek e exige revogação
Após EUA banirem DeepSeek por riscos de transferência de dados sigilosos, governo chinês rebate acusações de roubo de segredos
- Publicado: 20/10/2026 17:14
- Alterado: 20/10/2026 17:14
- Autor: Daniela Ferreira
O Ministério do Comércio da China emitiu uma forte contestação nesta terça-feira (20) contra a decisão do governo dos Estados Unidos de banir o modelo de inteligência artificial chinês DeepSeek de todas as agências federais norte-americanas. Em comunicado, Pequim exigiu a revogação imediata da medida e classificou o veto como uma sanção discriminatória que prejudica empresas chinesas e viola entendimentos bilaterais entre os dois países.
Alegações de risco cibernético e bloqueio do DeepSeek nos EUA
A reação do governo chinês ocorreu no dia seguinte ao Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) ordenar a remoção completa dos produtos e serviços baseados na arquitetura DeepSeek dos sistemas de informação de agências federais civis. A determinação também proíbe futuras contratações ou aquisições de fornecedores terceirizados que utilizem o modelo.

A administração norte-americana justificou a proibição alegando que os algoritmos da empresa chinesa apresentam múltiplos vetores de vulnerabilidade. O DHS expressou preocupação com a possibilidade de transferência indevida de informações governamentais sigilosas para servidores na China durante o uso da ferramenta por servidores e prestadores de serviços públicos.
Em resposta, o Ministério do Comércio chinês manifestou “profunda insatisfação”, cobrando que Washington respeite o canal de diálogo bilateral sobre inteligência artificial mantido pelas duas nações e atue para manter a estabilidade das relações comerciais.
Sanções a empresas por roubo de segredos comerciais
A escalada das tensões tecnológicas ganhou outro capítulo na mesma terça-feira, quando Pequim também repudiou novas sanções impostas pelo Departamento de Estado dos EUA a cinco companhias chinesas.

Entre as afetadas está a startup de IA Shanghai Zhisuan Technology, fundada por Linwei Ding, ex-engenheiro de software do Google acusado de roubar propriedade intelectual de inteligência artificial no setor privado norte-americano.
A pasta chinesa acusou as autoridades dos Estados Unidos de ampliarem indevidamente acusações de espionagem corporativa para difamar o ecossistema tecnológico do país asiático. A diplomacia chinesa concluiu declarando que monitorará o cenário geopolítico e adotará “todas as medidas necessárias” para proteger os direitos de suas empresas no mercado internacional.