Chico 2.0 reúne artistas em releituras de Chico Buarque
Com produção da CUFA, FRecords e Universal Music, álbum une rap, trap e nova MPB em releituras de Chico Buarque
- Publicado: 21/08/2026 16:26
- Alterado: 21/08/2026 16:26
- Autor: Daniela Ferreira
Aproximar a obra de um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira das linguagens urbanas contemporâneas é a proposta do projeto “Chico 2.0”. Fruto de uma parceria entre a Central Única das Favelas (CUFA), FRecords, Tha House e Universal Music Brasil, o álbum reúne nomes da nova geração e expoentes do rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB para dar nova roupagem a clássicos de Chico Buarque.
A primeira etapa do projeto chega às plataformas digitais a partir de 0h desta sexta-feira (21). A segunda fase da iniciativa tem lançamento previsto para o mês de outubro de 2026.
Direção Colaborativa e Ponte com a Música Urbana
A construção artística de “Chico 2.0” foi desenvolvida de forma colaborativa, contando com a articulação cultural e direção de Celso Athayde (fundador da CUFA), Preto Zezé (presidente da CUFA) e Fábio Almeida. A produção musical é assinada por Alê Siqueira e Felipe Poeta.
A proposta central busca preservar as harmonias e melodias originais das composições de Chico Buarque, conectando suas narrativas e críticas sociais ao contexto e à sonoridade da periferia e dos movimentos urbanos atuais.

O diretor musical Felipe Poeta ressalta que a relevância temática das canções se mantém viva ao longo das décadas:
“Desde o começo, a ideia foi criar essa ponte entre a obra do Chico e a música urbana de hoje. Mesmo sendo letras escritas em outros contextos, as histórias, os amores e os temas que ele aborda continuam muito atuais. Então, trazer essas músicas para artistas de diferentes gerações e estilos fez muito sentido. A gente quis inovar sonoramente, mas sempre com muito respeito pela obra, principalmente pelas harmonias e melodias do Chico”, afirma Felipe Poeta.
Rap, Trap e Conexão Nordeste no Repertório
A lista de participações do projeto reúne vozes influentes da música urbana e periférica, como MC Cabelinho, MC Livinho, Dexter, Tasha & Tracie, TZ da Coronel, Don L e VANDAL.
Dentre as faixas de destaque no rap e trap figuram:
- “Cálice”: O clássico composto por Chico Buarque e Gilberto Gil ganha interpretação de MC Cabelinho acompanhado de Xênia França;
- “Construção”: Interpretada em conjunto por Dexter, MC Livinho e Maurício Pazz;
- “Deus Lhe Pague”: Revisitada pela dupla paulistana Tasha & Tracie;
- “Pivete”: Interpretada por MC Livinho;
- “O Que Será (À Flor da Terra)”: Parceria entre Don L e VANDAL que conta com as participações especiais de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.
O rapper Don L destaca o diálogo intergeracional promovido pela iniciativa:
“Sou um grande fã da obra de Chico, então recebi o convite muito honrado para interpretar uma música muito importante na história do Brasil. Resolvi fazer uma interpretação mais malandra, mais rap, sempre citando a melodia original, ao lado do VANDAL. É também um convite ao nosso público mais jovem a conhecer a obra do Chico”, avalia Don L.
R&B, Pop, Drag e a Nova MPB

Além do rap e do trap, o álbum abre espaço para intérpretes do R&B e da nova MPB, como Xênia França, Budah, Grag Queen, Júlia Mestre e Bela Maria:
- “Geni e o Zepelim”: A intérprete e drag queen Grag Queen empresta sua voz e identidade cênica para recriar a clássica narrativa sobre preconceito e hipocrisia social;
- “Olê, Olá”: Interpretada pela cantora baiana Xênia França;
- “Roda Viva”: Revisitada pela artista capixaba Budah;
- “João e Maria”: Parceria entre Júlia Mestre e o rapper TZ da Coronel;
- “Meu Caro Amigo”: Releitura em ritmo e tom contemporâneo pela cantora Bela Maria.
Identidade Periférica e Autonomia Narrativa
Para as lideranças da CUFA, o projeto reafirma a potência da favela como centro de criação e ressignificação da cultura popular brasileira.
O fundador da entidade, Celso Athayde, aponta a responsabilidade de trabalhar com o catálogo do compositor:
“Dirigir artisticamente o projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música. Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular. O que estamos fazendo aqui é dar continuidade a essa linhagem, garantindo que a nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com propriedade, qualidade técnica e autonomia narrativa”, afirma Celso Athayde.
O presidente da CUFA, Preto Zezé, acrescenta que o projeto valoriza o pertencimento popular da obra:
“A obra de Chico Buarque não pertence a um grupo seleto: ela é fruto da vivência popular. Este projeto não é um resgate nostálgico, é uma afirmação de futuro, conectando a sofisticação do gênero com a potência, o ritmo e a visão de mundo da favela contemporânea”, conclui Preto Zezé.