Cavalaria de Guaratinguetá é reconhecida como patrimônio
Aprovado pelo Conselho do Iphan em Brasília, Cortejo da Cavalaria de Guaratinguetá é reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural
- Publicado: 22/09/2026 18:26
- Alterado: 22/09/2026 18:26
- Autor: Daniela Ferreira
O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, expressão cultural tradicional do município de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba (SP), foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil nesta terça-feira (22). A chancela federal foi aprovada por unanimidade durante a 114ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na capital federal.
Com o tombamento imaterial, a manifestação folclórica e religiosa será inscrita no Livro de Registro das Celebrações do Iphan, repositório nacional reservado a rituais, festividades e práticas comunitárias que constituem bens estruturantes da identidade e memória social brasileiras.
Organização, trajeto de 20 km e tradição centenária
A celebração reúne anualmente cerca de 2 mil cavaleiros e cavaleiras no Domingo de Páscoa. Trajando vestimentas brancas, os participantes percorrem um trajeto urbano de aproximadamente 20 quilômetros pelas vias de Guaratinguetá, organizado em duas fileiras paralelas de montadores.
O trajeto inclui paradas solenes em cemitérios da cidade para prestar homenagens a integrantes falecidos, cujos rostos são estampados em estandartes carregados pelos cavaleiros. Ao longo do percurso, moradores organizam altares e pequenos oratórios nas fachadas de residências e estabelecimentos comerciais para saudar o cortejo.

A gestão do bem cultural é coordenada pela Associação Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito de Guaratinguetá (ACSGSBG), entidade fundada em 1992. O desfile é estruturado a partir de uma comissão organizadora central — os chamados mantenas, integrada por seis clubes associados com fardamentos próprios e pela “Fila de Branco”, ala reservada a cavaleiros autônomos sem filiação prévia a agremiações.
O reconhecimento federal prevê a elaboração de um plano de salvaguarda pelo Iphan para garantir o repasse de recursos, suporte técnico e ações de preservação da tradição para as próximas gerações.