Câncer de próstata matou 50 homens por dia em 2025 no Brasil
O avanço do câncer de próstata vitimou 18,5 mil brasileiros e reforça o alerta da SBU para diagnósticos preventivos no Novembro Azul
- Publicado: 01/11/2026 11:43
- Alterado: 01/11/2026 11:43
- Autor: Gabriel de Jesus
Cerca de 18,5 mil homens morreram no Brasil ao longo do último ano em decorrência do câncer de próstata, índice que representa uma média de 50 óbitos diários registrados pelo Ministério da Saúde e compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O levantamento histórico revela que mais de 160 mil pacientes perderam a vida em virtude da enfermidade entre 2017 e o segundo semestre deste ano. O volume anual de perdas reflete uma elevação de 20% no comparativo com a década anterior, quando o país contabilizou 15,4 mil falecimentos.
Com estimativa de alcançar mais de 77 mil novos diagnósticos anuais em território nacional, a patologia figura como a neoplasia maligna mais frequente entre a população masculina. Especialistas enfatizam que a detecção precoce assegura 90% de probabilidade de cura, embora a ausência de manifestações clínicas iniciais dificulte a busca espontânea por assistência médica nos postos de saúde.
Sintomas tardios e a importância do rastreio precoce
As manifestações sintomáticas costumam surgir exclusivamente quando a estrutura neoplásica atinge estágios mais desenvolvidos. Entre os quadros indicativos de alerta estão hematúria (sangue na urina ou no sêmen), redução da força do jato miccional, interrupções frequentes durante a micção, disfunção erétil e dores ósseas localizadas.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni Carvalho Fernandes, reforça a urgência de manter consultas de rotina mesmo diante de um quadro assintomático:
“Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode levar a uma perda da chance de cura. Esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico.”
A avaliação preventiva padrão combina a dosagem laboratorial do antígeno prostático específico (PSA) por meio de coleta de sangue e o exame físico de toque retal, que possibilita a análise anatômica de consistência e volume glandular. Na identificação de nódulos ou alterações laboratoriais suspeitas de câncer de próstata, o encaminhamento clínico direciona o paciente para a realização de biópsia confirmatória guiada por imagem.
Conscientização e protocolos recomendados na saúde pública
Durante a campanha do Novembro Azul, os urologistas concentram esforços na quebra de estigmas e preconceitos comportamentais associados à investigação médica preventiva. As diretrizes estabelecem que homens sem fatores agravantes procurem o especialista a partir dos 50 anos para consultas periódicas. Para populações com histórico familiar de primeiro grau, indivíduos negros ou obesos, o rastreamento direcionado ao câncer de próstata deve ter início aos 45 anos.
A postura cultural diante do autocuidado passa por transformação, como ressalta Roni Carvalho Fernandes:
“O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce também é uma atitude de homem. É uma mudança cultural importante. O homem, que antes nem queria ouvir falar de ir ao urologista, agora busca informações e agenda suas consultas com mais naturalidade. No entanto, o desafio continua gigante.”
Tecnologias e novas abordagens terapêuticas no SUS
O enfrentamento ao câncer de próstata recebeu aportes tecnológicos regulamentados para a rede pública e suplementar. O Sistema Único de Saúde (SUS) consolidou a incorporação de cirurgias robóticas assistidas, procedimento que reduz o tempo de internação hospitalar e minimiza sequelas pós-operatórias na remoção da glândula.
Em paralelo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) validou o emprego de duas metodologias minimamente invasivas para combater o câncer de próstata:
- Ultrassom Focado de Alta Intensidade (HIFU): Direcionamento preciso de feixes ultrassônicos concentrados na área delimitada da lesão, promovendo a destruição térmica do tecido tumoral com preservação das estruturas vizinhas.
- Crioablação: Inserção percutânea de agulhas ultrafinas que conduzem gases de congelamento direto sobre o foco da lesão, provocando a necrose das células do câncer de próstata.
As diretrizes terapêuticas são definidas caso a caso, ponderando idade, estágio tumoral e condições clínicas globais para combater o avanço do câncer de próstata no país.