Caleidoscópio Xapiri Yanomami revela ritual no MIS
O Museu da Imagem e do Som recebe a esperada exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami para revelar os rituais sagrados da cultura originária em São Paulo
- Publicado: 24/10/2026 09:36
- Alterado: 24/10/2026 09:41
- Autor: Leonardo Nogueira
A Caleidoscópio Xapiri Yanomami estreia no MIS com uma abordagem visceral. A nova mostra de Leão Serva mergulha nas profundezas da Terra Indígena Yanomami para documentar uma pajelança histórica.
A instituição paulista abre as portas gratuitamente no dia 28 de outubro. O público ganha acesso irrestrito a cerca de 30 imagens inéditas capturadas na comunidade de Xihopi, no coração do rio Demini.
O visual e técnica da Caleidoscópio Xapiri Yanomami
Os corpos indígenas se fragmentam sob a luz. Serva utilizou apenas a câmera de um celular para capturar longas exposições e sobreposições durante a celebração dos 30 anos de demarcação do território.
O fotógrafo descartou ferramentas de inteligência artificial ou manipulações digitais. Ele buscou traduzir a dimensão transcendental da coreografia dos xamãs e a complexa comunicação com os espíritos ancestrais.
O curador Ricardo Corrêa descreve essa técnica rústica como um grande trunfo artístico. O resultado foge do controle exato e materializa fenômenos quase inatingíveis para a nossa compreensão ocidental comum.
“A técnica ‘imperfeita’, sem controle exato do resultado, se encontra com um fenômeno Yanomami, quase inatingível para a compreensão limitada pelo senso comum.”
Quem são os Xapiri na cosmologia amazônica

Eles sustentam o teto do mundo. A tradição local ensina que esses seres luminosos protegem a floresta, curam os enfermos e impedem uma catástrofe global narrada pelo líder Davi Kopenawa.
Os xamãs acessam os espíritos através da yãkoana. Este pó extraído das árvores Virola serve como alimento ritualístico e fundamenta todo o complexo sistema de aprendizado do xamanismo indígena contemporâneo.
A exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami evita reproduzir visões de maneira óbvia ou literal. A intenção curatorial envolve explorar os limites da fotografia para apresentar essa conexão ancestral e imaterial aos habitantes das grandes metrópoles.
Jornalismo e ativismo na trajetória de Leão Serva
O repórter conhece a realidade da Amazônia de perto. O jornalista acumula décadas de reportagens e coberturas intensas sobre conflitos ambientais e liderou o conselho diretor do Instituto Socioambiental (ISA).
Kopenawa incentivou a divulgação imediata deste acervo histórico. O grande líder indígena pediu expressamente que o fotógrafo exibisse as imagens urbanamente para expandir a conscientização nacional sobre a urgência climática.
Roteiro de visitação e serviço completo
O projeto cultural recebe o fomento direto da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Anote as informações fundamentais para organizar seu roteiro pelas salas do museu:
- Data de abertura: 28 de outubro, às 19h.
- Período de visitação: 29 de outubro a 6 de dezembro.
- Localização: Sala Maureen Bisilliat no Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158, São Paulo).
- Horários de funcionamento: Terças a sextas, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 18h.
- Ingressos e classificação: Entrada totalmente gratuita com classificação indicativa livre.
O legado da Caleidoscópio Xapiri Yanomami reitera o poder da imagem como instrumento sociopolítico. Visite a sala de exposições e reconfigure sua percepção sobre as matrizes espirituais que protegem as florestas do Brasil.