Caleidoscópio Xapiri Yanomami revela ritual no MIS

O Museu da Imagem e do Som recebe a esperada exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami para revelar os rituais sagrados da cultura originária em São Paulo

Caleidoscópio Xapiri Yanomami revela ritual no MIS

Crédito: Divulgação

A Caleidoscópio Xapiri Yanomami estreia no MIS com uma abordagem visceral. A nova mostra de Leão Serva mergulha nas profundezas da Terra Indígena Yanomami para documentar uma pajelança histórica.

A instituição paulista abre as portas gratuitamente no dia 28 de outubro. O público ganha acesso irrestrito a cerca de 30 imagens inéditas capturadas na comunidade de Xihopi, no coração do rio Demini.

O visual e técnica da Caleidoscópio Xapiri Yanomami

Os corpos indígenas se fragmentam sob a luz. Serva utilizou apenas a câmera de um celular para capturar longas exposições e sobreposições durante a celebração dos 30 anos de demarcação do território.

O fotógrafo descartou ferramentas de inteligência artificial ou manipulações digitais. Ele buscou traduzir a dimensão transcendental da coreografia dos xamãs e a complexa comunicação com os espíritos ancestrais.

O curador Ricardo Corrêa descreve essa técnica rústica como um grande trunfo artístico. O resultado foge do controle exato e materializa fenômenos quase inatingíveis para a nossa compreensão ocidental comum.

“A técnica ‘imperfeita’, sem controle exato do resultado, se encontra com um fenômeno Yanomami, quase inatingível para a compreensão limitada pelo senso comum.”

Quem são os Xapiri na cosmologia amazônica

Caleidoscópio Xapiri Yanomami revela ritual no MIS
Divulgação

Eles sustentam o teto do mundo. A tradição local ensina que esses seres luminosos protegem a floresta, curam os enfermos e impedem uma catástrofe global narrada pelo líder Davi Kopenawa.

Os xamãs acessam os espíritos através da yãkoana. Este pó extraído das árvores Virola serve como alimento ritualístico e fundamenta todo o complexo sistema de aprendizado do xamanismo indígena contemporâneo.

A exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami evita reproduzir visões de maneira óbvia ou literal. A intenção curatorial envolve explorar os limites da fotografia para apresentar essa conexão ancestral e imaterial aos habitantes das grandes metrópoles.

Jornalismo e ativismo na trajetória de Leão Serva

O repórter conhece a realidade da Amazônia de perto. O jornalista acumula décadas de reportagens e coberturas intensas sobre conflitos ambientais e liderou o conselho diretor do Instituto Socioambiental (ISA).

Kopenawa incentivou a divulgação imediata deste acervo histórico. O grande líder indígena pediu expressamente que o fotógrafo exibisse as imagens urbanamente para expandir a conscientização nacional sobre a urgência climática.

Roteiro de visitação e serviço completo

O projeto cultural recebe o fomento direto da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Anote as informações fundamentais para organizar seu roteiro pelas salas do museu:

  • Data de abertura: 28 de outubro, às 19h.
  • Período de visitação: 29 de outubro a 6 de dezembro.
  • Localização: Sala Maureen Bisilliat no Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158, São Paulo).
  • Horários de funcionamento: Terças a sextas, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 18h.
  • Ingressos e classificação: Entrada totalmente gratuita com classificação indicativa livre.

O legado da Caleidoscópio Xapiri Yanomami reitera o poder da imagem como instrumento sociopolítico. Visite a sala de exposições e reconfigure sua percepção sobre as matrizes espirituais que protegem as florestas do Brasil.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 24/10/2026 09:36
  • Alterado: 24/10/2026 09:41
  • Autor: Leonardo Nogueira