Cabos eleitorais do PL, de Flávio Bolsonaro, são presos com R$ 30 mil
Dois cabos eleitorais ligados ao PL, partido de Flávio Bolsonaro, foram presos em Roraima com R$ 30 mil para compra de votos
- Publicado: 04/10/2026 16:06
- Alterado: 04/10/2026 16:06
- Autor: Gabriel de Jesus
Dois cabos eleitorais do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, ligados ao deputado federal Antonio Carlos Nicoletti, candidato ao Senado por Roraima, foram presos pela Polícia Militar na tarde de sexta-feira (2) na Avenida Capitão Ene Garcez, em Boa Vista. Durante a abordagem, policiais encontraram R$ 30 mil escondidos nas meias dos suspeitos, em pacotes de cédulas de R$ 100.
Dinheiro foi encontrado escondido nas meias dos suspeitos

A abordagem aconteceu por volta das 14h, quando policiais em patrulhamento avistaram uma caminhonete em atitude suspeita na Avenida Capitão Ene Garcez. A ocorrência teve início após denúncia de que os ocupantes do veículo estariam em posse de dinheiro destinado à compra de votos. Os homens foram identificados como Paulo Roberto Alves Temoteo e Jesus Ribeiro.
Na revista, os policiais encontraram três pacotes de cédulas de R$ 100 escondidos nas meias dos suspeitos, por dentro dos sapatos. Com Paulo Roberto, estavam dois pacotes de R$ 10 mil cada; com Jesus, foi localizado um terceiro pacote, também de R$ 10 mil — total apreendido de R$ 30 mil. Um rádio comunicador também foi encontrado na parte traseira da caminhonete e apreendido junto com os demais materiais.
Cabos eleitorais confessam destino do dinheiro
Questionados pelos policiais, os dois homens admitiram que o dinheiro seria usado para comprar votos, pelo valor aproximado de R$ 300 por eleitor. Jesus Ribeiro declarou trabalhar há mais de um mês para o deputado federal Antonio Carlos Nicoletti e afirmou que o dinheiro pertenceria ao político. Já Paulo Roberto Alves Temoteo, além de atuar como cabo eleitoral de Nicoletti, disse trabalhar também para outro candidato da região, cujo nome não foi divulgado.
Caso não tem, até o momento, ligação direta com Flávio Bolsonaro
A dupla foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal em Boa Vista para as providências cabíveis. A suspeita de que o valor seria destinado à compra de votos configura crime eleitoral, prática que pode resultar em reclusão, multa e cassação do registro ou diploma do candidato eventualmente envolvido. Se o vínculo entre o dinheiro e a campanha de Nicoletti for confirmado pelas investigações, o caso pode ter desdobramentos diretos sobre a candidatura dele ao Senado.
Até a publicação desta matéria, as apurações apontam apenas para cabos eleitorais ligados à candidatura de Nicoletti ao Senado — não há, nas informações disponíveis, qualquer indício de envolvimento pessoal de Flávio Bolsonaro no episódio, além da filiação partidária comum ao PL. A Polícia Federal ainda não se manifestou publicamente sobre a abertura de inquérito.