Badi Assad brilha no Rock in Rio com o show Transforma
Badi Assad sobe ao Palco Village do festival para celebrar 60 anos de vida e 35 de carreira com um espetáculo de pura reinvenção
- Publicado: 09/09/2026 20:50
- Alterado: 09/09/2026 20:50
- Autor: Leonardo Nogueira
Cantora e violonista revisita três décadas de trajetória em um espetáculo inédito que une percussão corporal, voz e arranjos impecáveis. A trajetória não aceita linhas retas. Badi Assad constrói sua jornada artística através de espirais criativas e reinvenções constantes.
Aos 60 anos de idade e celebrando 35 de carreira, a multi-instrumentista desembarca no Palco Village no dia 12 de setembro. O festival carioca recebe uma artista que domina o espaço com absoluta liberdade corporal e sonora.
Badi Assad transforma música em experiência imersiva

Em 1985, a musicista acompanhou a primeira edição histórica do festival apenas como espectadora. Quatro décadas depois, ela retorna ao evento para apresentar seu recém-lançado álbum retrospectivo. O espetáculo concebido para a ocasião atravessa os momentos mais brilhantes de sua vasta discografia premiada.
O diretor Deco Gedeon assina a concepção da obra ao lado da artista. Eles dividem a narrativa do espetáculo em quatro atos fundamentais:
- O Mundo
- O Indivíduo
- O Humano
- A Vida
Esse arco dramático expõe as desigualdades sociais e culmina em uma verdadeira celebração afetuosa. O roteiro amarra composições de Luiz Gonzaga e Baiana System com obras internacionais de Sinéad O’Connor e Lorde. Badi Assad entrelaça essas referências gringas e nacionais às suas próprias canções autorais.
O poder curativo de recomeçar nos palcos
A própria Badi Assad define o conceito central da nova turnê de forma cirúrgica e reveladora.
“Passei a vida descobrindo que a música pode mudar de forma sem perder sua essência. Transforma é um convite para mergulhar no mundo e em nós mesmos.”
A direção buscou materializar essa filosofia em cada feixe de luz do palco. Gedeon explica que a artista reúne a emoção da interpretação com a rara capacidade de proporcionar vivências sinestésicas ao público. A intenção primária do projeto é provar que a sonoridade carrega um poder revolucionário absoluto.
Uma vida inteira dedicada à genialidade das cordas
Filha de uma família musical tradicional do interior paulista, a paixão pelo violão surgiu como um chamado inevitável. Aos 15 anos, ela conquistou o primeiro lugar no Concurso Jovens Instrumentistas no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, aos 19, faturou o título de melhor violonista brasileira no prestigioso Concurso Internacional Villa-Lobos.
A técnica excepcional chamou a atenção imediata da crítica especializada estrangeira. Em 1994, a revista Guitar Player incluiu Badi Assad na restrita lista dos 100 melhores artistas do mundo. A mesma publicação elegeu seu disco acústico como o lançamento de violão mais brilhante do ano seguinte. A alcunha de “One Woman Band” nasceu na imprensa internacional para descrever sua fusão perfeita entre cordas, voz e movimentos percussivos.
Superação médica e consagração internacional definitiva
A distonia focal ameaçou paralisar sua carreira no final dos anos 1990. Os médicos previram que ela jamais voltaria a tocar profissionalmente. Contrariando os prognósticos clínicos, a estrela adaptou sua técnica e retomou as turnês globais com uma presença vocal ainda mais madura.
Hoje, a instrumentista soma apresentações marcantes em mais de cinquenta países diferentes. A arte serviu como ponte em territórios onde sequer havia um idioma comum compartilhado pelos nativos.
O retorno majestoso consagra uma travessia pautada pela ousadia e pela coragem. Ao dominar os holofotes do maior festival do país, Badi Assad prova que viver e seguir aprendendo constitui a forma mais autêntica de existir.