Aviação enfrenta desafios para cumprir meta climática de 2050

Em reunião da IATA no Rio, setor aéreo reconhece atraso na redução de emissões e cobra ações de fabricantes, governos e fornecedores de combustíveis sustentáveis

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A indústria global da aviação está distante da trajetória considerada necessária para atingir a meta de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. A avaliação foi feita neste domingo (7) por Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), durante a Assembleia Geral Anual da entidade realizada no Rio de Janeiro.

Segundo Walsh, o objetivo ainda pode ser alcançado, mas exige medidas concretas de todos os participantes da cadeia da aviação, incluindo companhias aéreas, fabricantes de aeronaves, aeroportos, fornecedores de combustível e governos.

Atrasos na entrega de aeronaves preocupam companhias

Entre os principais obstáculos apontados pela Iata estão os atrasos na entrega de aeronaves mais modernas e eficientes. De acordo com Walsh, a demora faz com que empresas mantenham em operação aviões mais antigos, que emitem mais gases de efeito estufa.

O executivo afirmou que a situação amplia a distância entre as emissões atuais e as metas estabelecidas para as próximas décadas, dificultando o processo de descarbonização do setor.

Combustível sustentável ainda é insuficiente

Outro desafio destacado pela entidade é a baixa oferta de SAF (Sustainable Aviation Fuel), conhecido como combustível sustentável de aviação. A Iata avalia que a produção global do insumo ainda está muito abaixo do necessário para sustentar a transição energética da aviação.

Walsh também criticou o que considera falta de avanços por parte das empresas do setor de energia, afirmando que promessas de ampliação da oferta do combustível sustentável ainda não se converteram em resultados concretos.

Modernização do tráfego aéreo é apontada como solução

A associação também defende reformas nos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo. Segundo a Iata, a modernização dessas estruturas permitiria rotas mais eficientes, reduzindo o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de carbono.

A entidade reforça que a meta climática aprovada em 2021 durante a assembleia realizada em Boston, nos Estados Unidos, depende de esforços coordenados entre todos os segmentos da indústria e de políticas públicas de incentivo.

Brasil se coloca como potencial líder em combustível sustentável

Durante a abertura do encontro, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o potencial brasileiro para liderar a produção de combustíveis sustentáveis para a aviação.

Segundo Alckmin, o país possui vantagens competitivas por ser um dos maiores produtores mundiais de biocombustíveis e pode desempenhar papel estratégico na descarbonização do transporte aéreo global. O vice-presidente afirmou que a combinação entre recursos naturais e capacidade industrial coloca o Brasil em posição privilegiada para desenvolver soluções voltadas à redução das emissões do setor.

  • Publicado: 07/06/2026 12:11
  • Alterado: 07/06/2026 12:11
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress