Audiovisual negro brasileiro fecha série de podcast

O projeto sonoro do FICINE conclui sua primeira fase resgatando nomes históricos. A jornada explora pensamentos e vozes que moldaram o cinema nacional de forma independente

Audiovisual negro brasileiro fecha série de podcast

Crédito: Divulgação

O audiovisual negro brasileiro encerrou um ciclo estrutural para a memória cinematográfica do país. O Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE) finalizou a primeira temporada do podcast Oferendas Narrativas. A série documental em áudio reuniu grandes pesquisadoras para mapear a história das imagens produzidas fora do eixo hegemônico. Kênia Freitas, Janaína Damasceno e Tatiana Carvalho Costa acompanharam Janaína Oliveira nessa imersão profunda.

Zózimo Bulbul e o audiovisual negro brasileiro

Revisitar o passado exige método e intuição. O último episódio da temporada resgata a trajetória pioneira do diretor Zózimo Bulbul. Ele idealizou e dirigiu o histórico curta-metragem Alma no Olho em 1974.

A pesquisadora Janaína Oliveira conduz a narrativa diferenciando a simples presença de corpos negros na tela da verdadeira autonomia criativa. A construção da identidade do audiovisual negro brasileiro depende dessa independência narrativa para sobreviver às oscilações do mercado tradicional.

“Hoje proliferam filmes, mostras e estudos, apesar das adversidades políticas e a escassez de financiamentos. Mas a gente sabe que um movimento assim, uma vez em curso, não há retrocesso possível”, crava Janaína Oliveira.

Afrofuturismo e novas epistemologias visuais

Audiovisual negro brasileiro fecha série de podcast
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A jornada sonora ignora a linha cronológica rígida. Os primeiros episódios dissecaram temas urgentes como ficção especulativa e imaginação radical negra. Kênia Freitas aproximou conceitos do passado e do futuro para explicar a força do afrofuturismo.

Janaína Damasceno assumiu os microfones para destrinchar obras de Walter Firmo e Gordon Parks. Ela debateu o direito de olhar e a construção de mundos visuais estritamente autônomos. As ferramentas teóricas acadêmicas tradicionais costumam falhar ao analisar obras fora do padrão eurocêntrico. A curadora Tatiana Carvalho Costa apresentou o conceito de QuilomboCinema para corrigir essa distorção.

O programa entrega um acervo intelectual estruturado em cinco frentes principais:

  • Mapeamento das experiências pioneiras nos Estados Unidos com Oscar Micheaux.
  • Cruzamento entre o tempo presente e a imaginação radical na ficção especulativa.
  • Criação de epistemologias próprias a partir de saberes sociológicos ancestrais.
  • Valorização das fotografias que registram a existência negra sem filtros externos.
  • Fortalecimento da curadoria moderna aplicada à sétima arte.

A equipe executiva do FICINE disponibiliza todos os cinco episódios nas principais plataformas digitais. O portal oficial da iniciativa também organiza as referências bibliográficas citadas durante as gravações. A escuta atenta dessa produção transforma a forma de consumir e entender as imagens em movimento. A base do audiovisual negro brasileiro pulsa forte nos fones de ouvido. Ela aguarda quem deseja investigar o cinema autêntico pela ótica de quem o constrói.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 20/10/2026 17:01
  • Alterado: 20/10/2026 17:01
  • Autor: Leonardo Nogueira