Apple processa OpenAI por suposto uso de segredos comerciais

Gigante do iPhone acusa a OpenAI e dois ex-funcionários de utilizar informações confidenciais sobre produtos, fornecedores e processos de fabricação para acelerar o desenvolvimento de dispositivos baseados em inteligência artificial.

Crédito: Unsplash

A Apple processa OpenAI no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. A ação protocolada nesta sexta-feira (10) acusa a criadora do ChatGPT de se beneficiar de informações sigilosas para acelerar sua entrada no mercado de dispositivos eletrônicos. Dois ex-funcionários da fabricante do iPhone respondem ao processo por vazamento de dados estratégicos.

O litígio envolve a OpenAI Foundation, a OpenAI Group PBC e a io Products. Os executivos citados nominalmente são Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos, e Tang Yew Tan, antigo vice-presidente de design de produtos do iPhone e do Apple Watch. A petição detalha uma ação coordenada para obter projetos, estratégias da cadeia de suprimentos e processos de fabricação.

Como a Apple processa OpenAI pelas ações de ex-funcionários

O documento detalha as falhas de segurança exploradas pelos antigos contratados. A Apple processa OpenAI argumentando que Liu reteve um notebook corporativo e usou uma brecha na autenticação para acessar a rede interna. O engenheiro baixou dezenas de arquivos confidenciais de hardware antes de assumir o novo cargo na concorrente.

Tan executou uma estratégia diferente no roubo de propriedade intelectual. O ex-vice-presidente enviou para contas pessoais análises internas do setor e listas de fornecedores. Ele incentivou outros profissionais da companhia a levarem componentes físicos da fabricante durante entrevistas de emprego na empresa de inteligência artificial.

A documentação judicial descreve sessões informais no recrutamento conhecidas como mostrar e contar. “Nem sabia que podíamos pegar essas coisas do escritório”, revelou um candidato a uma vaga na OpenAI, segundo os autos da petição.

Avanço em hardware e disputa por fornecedores

Mais de 400 ex-funcionários da gigante de tecnologia atuam hoje na rival focada em inteligência artificial. A Apple processa OpenAI sob a justificativa de que a concorrente fez perguntas altamente específicas a fornecedores sobre componentes exclusivos. Essa abordagem demonstra o uso indevido de conhecimento restrito obtido através dos profissionais recém-contratados.

A acusação menciona tentativas de convencer parceiros comerciais a quebrarem limitações contratuais. A criadora do ChatGPT solicitou a aplicação de técnicas de acabamento em metal desenvolvidas originalmente para os smartphones. “Só porque a OpenAI agora emprega pessoas que antes eram responsáveis pelos segredos comerciais da Apple, isso não dá à empresa o direito de usar essas informações para acelerar seus esforços em hardware”, argumentou a fabricante na ação.

Rivalidade na corrida da inteligência artificial

O embate jurídico expõe a tensão crescente no mercado de tecnologia, contrariando a relação próxima que as corporações mantinham até poucos meses atrás. A fabricante dos iPhones integrou recursos da OpenAI ao sistema iOS em 2024, permitindo aos usuários buscar respostas via Siri e assinar planos pagos diretamente pelas configurações do aparelho.

O cenário mudou agressivamente com a aquisição da startup de hardware io Products, avaliada em US$ 6,5 bilhões e fundada pelo ex-designer Jony Ive. O investimento marcou a transição da desenvolvedora de software para a criação de produtos físicos voltados ao consumidor final. Diante da ameaça direta aos seus negócios estruturais, a Apple processa OpenAI para proteger sua cadeia de produção.

  • Publicado: 11/07/2026 10:14
  • Alterado: 11/07/2026 10:14
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Reuters

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