Após oito anos "adormecida", Casa do Hip Hop renasce de olho na diversidade

Espaço que levou o nome de Diadema para além das fronteiras do país reabriu as portas neste sábado (19) após quatro meses de revitalização

Após oito anos "adormecida", Casa do Hip Hop renasce de olho na diversidade

Crédito: Dino Santos

Enquanto Nelson Triunfo ensaia alguns passos de break com amigos de longa data, Rappin Hood troca ideias e tira fotos com jovens na casa dos seus 20 anos. Nas pick-ups, o rap de várias gerações se mistura com  as palmas das rodas de capoeira e com o som do spray dos grafiteiros que terminam de decorar o ambiente.

O endereço é o mesmo que, em 1999, foi concebido justamente para tornar comum encontros como o da lenda do break com um dos cânones do rap nacional. Mas a vibração é nova: abandonada por praticamente oito anos, a Casa do Hip Hop acaba de renascer após uma intensa mobilização que envolveu ao menos quatro meses de trabalho.

Durante o evento de reinauguração, embora tímido em função da pandemia, ficou claro que a nova fase do local pretende fazer valer o que sempre lhe deu fama e ir além da música, da dança e do grafite. Por se tratar de um dos templos sagrados da cultura de rua do país e o primeiro espaço dedicado ao gênero na América Latina, a Casa do Hip Hop tornou-se destino obrigatório não só de nomes consagrados. Ela também serviu de abrigo para acolher e dar visibilidade a incontáveis artistas periféricos que talvez jamais conseguiriam uma oportunidade.

“Essa casa inspirou muitas outras casas no Brasil e no mundo e colocou Diadema como referência no gênero. Infelizmente passamos por tempos difíceis recentemente. Costumo dizer que depois de um tempo “rebaixado”, estamos voltando para a primeira divisão”, comemora Triunfo, lembrando o estado deplorável em que encontraram o espaço no final do ano passado.

À frente da reformulação da casa –  que ganhou pintura, fiação, sistema de som, portas e janelas novos, além de total repaginação estética – está Jean, filho de Triunfo, a quem também caberá missão de tornar o lugar o principal centro sócio-cultural da periferia diademense.

“Eu fico emocionado porque desde os meus três anos eu venho aqui. Eu cresci aqui dentro. E é um orgulho imenso poder estar entre todo mundo que batalhou para reabrir este lugar e que vai continuar batalhando para recolocar a Casa do Hip Hop como referência não só para Diadema como para muitos outros lugares”, relembra.

Responsável pela construção do espaço e agora também por tirá-lo das cinzas, o prefeito José de Filippi Júnior fez questão de enfatizar o esforço com o qual a sua gestão conseguiu recuperar o espaço. De mãos dadas com Rappin Hood, o chefe do executivo declarou: “Quem não reage, rasteja. Quando viemos aqui ano passado, acharam que íamos invadir o lugar. Depois, nos deram as chaves para que pudéssemos começar a reforma antes mesmo de começar a gestão. A casa está linda, está renovada e pronta para receber o público”.

Outro nome que também se dedicou com afinco para reabrir a casa ainda no primeiro semestre foi o secretário de Cultura Deivid Couto. “Nós cumprimos tudo dentro do prazo e estamos devolvendo a casa não só para os bboys e bgirls, não só para os MCs e grafiteiros, mas para toda a comunidade. Como sempre lembra Nelson Triundo, a Casa do Hip Hop é a casa da diversidade”, concluiu.

  • Publicado: 20/06/2021 14:29
  • Alterado: 20/06/2021 14:29
  • Autor: Redação
  • Fonte: Prefeitura de Diadema