Aos 67 anos, merendeira é inspiração em São Vicente
Confeiteira e merendeira em São Vicente, Lígia Yara alia experiência de vida ao cuidado com alunos da Educação Infantil antes da aposentadoria
- Publicado: 29/09/2026 11:29
- Alterado: 29/09/2026 11:29
- Autor: Daniela Ferreira
A comemoração do Dia Internacional da Pessoa Idosa é marcada na rede municipal de ensino de São Vicente pela história de dedicação de Lígia Yara Cruz Lemos Silva, de 67 anos.
Servidora mais experiente da Unidade Escolar Regina Célia, localizada no Centro, Lígia desperta diariamente às 4h30 para iniciar a preparação da merenda oferecida aos alunos da Educação Infantil, transformando o serviço público em uma extensão de sua trajetória familiar.
Antes de ingressar na área da educação, Lígia atuou durante anos como bancária na capital paulista, onde criou seus três filhos.
Após a aposentadoria do marido, a família fixou residência no Litoral Paulista. Em 2015, aos 58 anos, prestou o concurso público da Prefeitura de São Vicente para a função de merendeira, sendo aprovada em terceiro lugar e convocada para assumir o cargo em 2018.
Desafios na pandemia, estrutura escolar e vínculos afetivos

Ao longo de mais de seis anos de serviços prestados à Secretaria de Educação de São Vicente, a servidora acompanhou transformações estruturais na unidade escolar, incluindo a ampliação e modernização do espaço físico da cozinha industrial.
Durante o período crítico da pandemia de Covid-19 em 2020, permaneceu em atividade presencial no suporte às demandas administrativas e na adaptação dos protocolos sanitários de alimentação.
“Eu digo que a cabeça da escola são os professores, mas a comida é o coração. Sem o estudo você não aprende, mas sem a comida você não se mantém de pé. Cozinhar aqui é a mesma coisa que cozinhar na minha casa para os meus filhos e netos”, destaca Lígia Yara sobre a rotina de trabalho.
Além do preparo diário das refeições, a rotina envolve o acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes e o convívio com a comunidade escolar do Centro de São Vicente.
“Às vezes estou preocupada ou cansada e chega uma criança no pátio e fala: ‘Tia, eu te amo’ ou faz um coração com as mãos. Esse carinho que recebo não tem preço, é impagável. Ganho o meu dia”, relata a servidora de São Vicente.
Vitalidade fora da escola e planejamento de aposentadoria

Fora do expediente na rede municipal, Lígia mantém atividades como artesã em crochê, costureira e confeiteira autônoma, atuando na confecção e decoração de bolos para festas e eventos na Baixada Santista.
Embora planeje a aposentadoria para dedicar mais tempo ao marido, aos filhos e aos netos, a servidora pretende dar continuidade aos estudos e aos projetos manuais.
“Sei que estou no final da minha jornada no serviço público, mas fiz muitas amizades aqui. A gente vive mais tempo na escola do que em casa, é uma verdadeira família. Se estou aqui, dou o meu 100%. A minha retribuição para essa vida é continuar aprendendo e fazendo o meu melhor”, conclui Lígia.