Ansiedade infantil exige atenção de pais e educadores

Ansiedade infantil pode causar dores físicas e dificuldades escolares; reconhecer os sinais ajuda famílias e escolas a buscar apoio especializado a tempo

Ansiedade infantil exige atenção de pais e educadores

Crédito: Divulgação

A ansiedade infantil é uma das questões que exigem atenção no debate sobre saúde mental de crianças e adolescentes. Um estudo brasileiro liderado pelo psiquiatra Christian Kieling, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e publicado na revista científica The Lancet, estimou que 15,6 milhões de crianças, adolescentes e jovens brasileiros convivam com pelo menos um transtorno mental.

Entre os resultados, a ansiedade aparece como uma das condições de maior impacto ao longo da infância, adolescência e juventude, com efeitos que podem se estender até os 29 anos. O cenário também chama atenção no sistema de saúde. Em São Paulo, as internações de crianças pequenas por transtornos mentais praticamente dobraram nos últimos cinco anos, conforme os dados apresentados no estudo.

Diante desse cenário, fica uma reflexão: será que estamos reconhecendo o sofrimento emocional das crianças?

Uma criança de 7 ou 8 anos nem sempre consegue expressar o que sente. Dor de barriga frequente antes de ir à escola, dor de cabeça, resistência para sair de casa, dificuldades de aprendizagem ou aparente desatenção podem ser sinais percebidos no cotidiano.

Esses comportamentos, porém, não são suficientes para indicar um transtorno. A avaliação precisa ser realizada por profissionais capacitados, que poderão identificar as causas e orientar os cuidados necessários.

Como reconhecer os sinais da ansiedade infantil

Família e escola têm papel importante na observação do comportamento infantil. Professores e responsáveis, por conviverem diariamente com as crianças, podem perceber mudanças que merecem atenção.

A função desses adultos, no entanto, não é realizar diagnósticos, mas identificar possíveis sinais de sofrimento emocional e encaminhar a criança para uma avaliação adequada.

Uma rotina organizada, relações de vínculo e professores preparados também fazem parte desse cuidado. É importante considerar, ainda, a saúde mental dos próprios profissionais da educação, que convivem diariamente com as demandas emocionais dos alunos.

O papel da família e da escola na saúde emocional

O acompanhamento da criança exige atenção conjunta. Mudanças persistentes no comportamento, dificuldades no ambiente escolar e manifestações físicas recorrentes precisam ser observadas com cuidado, sem julgamentos ou conclusões precipitadas.

A escola pode contribuir oferecendo um ambiente acolhedor, enquanto a família tem a oportunidade de acompanhar mais de perto as emoções e as necessidades da criança. Quando necessário, a busca por orientação profissional permite compreender melhor o que está acontecendo e definir formas adequadas de apoio.

Falar sobre ansiedade infantil não significa transformar todo comportamento em transtorno. Significa reconhecer que crianças também podem sofrer emocionalmente e que esse sofrimento nem sempre aparece de forma evidente.

Quanto mais cedo os sinais persistentes forem percebidos e encaminhados para avaliação, maiores serão as possibilidades de oferecer suporte adequado.

Carlos Enriki

  • Publicado: 05/11/2026 09:29
  • Alterado: 05/11/2026 09:29
  • Autor: Carlos Enriki