Alunos usam córrego da Zona Leste como laboratório escolar

Estudantes do Parque Guarani monitoram córrego na Zona Leste para alimentar base de dados ambiental e mapear os impactos da poluição

Crédito: Fotos de: Paulo Guereta/SECOM

O córrego Jacupeval, localizado no Parque Guarani, na Zona Leste da capital, ganhou um novo propósito para os alunos da EMEF Antônio Duarte de Almeida. O corpo d’água tornou-se uma sala de aula aberta por meio de uma parceria pedagógica e científica com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Fundação SOS Mata Atlântica.

Integrada ao programa de iniciação à docência da universidade, a ação faz com que os estudantes do projeto Mais Educação monitorem mensalmente as condições do córrego, aplicando conceitos de ciência cidadã diretamente na comunidade onde vivem.

Monitoramento Científico no Território

 Zona Leste
Fotos de: Paulo Guereta/SECOM

Orientados pelos professores Felipe Almeida dos Santos (Geografia) e Guilherme Prata, os alunos realizam coletas regulares e analisam indicadores físicos e químicos da água do Jacupeval, tais como:

  • Temperatura;
  • Índice de pH;
  • Nível de oxigênio dissolvido;
  • Odor e coloração local.

Os relatórios gerados pelos estudantes não ficam restritos aos muros da escola: as informações são disponibilizadas diretamente na plataforma pública de monitoramento da Fundação SOS Mata Atlântica. De acordo com os educadores, o processo muda a percepção dos jovens em relação ao córrego, que deixa de ser visto apenas como um ponto de descarte de lixo e passa a ser compreendido como um ecossistema com potencial de recuperação.

Debate sobre Racismo Ambiental nas Periferias

Além da análise química da água, o projeto utiliza a geografia do bairro para conectar a educação ambiental à educação antirracista. As atividades em campo abrem espaço para debater o conceito de racismo ambiental, analisando como as enchentes, a ocupação urbana desordenada e a falta de saneamento básico afetam de maneira mais intensa e desigual as populações das periferias.

Com essa abordagem, a escola transforma a paisagem do Parque Guarani em objeto de investigação sociopolítica, estimulando os estudantes a questionarem as raízes dos problemas estruturais que impactam o cotidiano e a saúde dos moradores da região.

  • Publicado: 15/06/2026 12:56
  • Alterado: 15/06/2026 12:56
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: PMSP