Alexandre Galhego cria jardim sustentável na CASACOR SP
O paisagista estreia na CASACOR São Paulo 2026 com um jardim suspenso que preserva o patrimônio botânico do Parque da Água Branca
- Publicado: 15/06/2026 16:00
- Alterado: 15/06/2026 16:00
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O Parque da Água Branca, na Zona Oeste da capital paulista, serve como pano de fundo para a estreia do paisagista, engenheiro agrônomo e botânico Alexandre Galhego na CASACOR São Paulo 2026. Batizado de Clareira na Mata, o ambiente de 290 m² foi inteiramente projetado sob a sombra de uma figueira centenária, propondo um refúgio de descompressão e contemplação para os visitantes em meio à agitação urbana.
Com três décadas de atuação na área, Galhego desenvolveu o jardim a partir do conceito biológico das clareiras naturais, que funcionam como aberturas espontâneas para a entrada de luz em florestas densas. O espaço foi estruturado em camadas de folhagens e texturas com mais de 4.500 mudas de espécies tropicais, como filodendros, monsteras e íris, priorizando os diferentes tons de verde e volumes em vez de floradas sazonais coloridas.
Arquitetura Sustentável e Impacto Zero

Por estar localizado em uma área de preservação com vegetação arbórea tombada pelo patrimônio histórico e ambiental, o projeto exigiu soluções de engenharia de impacto zero. Em vez de nivelar o terreno ou remover espécies, o paisagista optou por soluções construtivas que respeitam a topografia original:
- Deck Suspenso: Um caminho de madeira serpenteia pelo espaço sem tocar diretamente o chão de forma agressiva. A estrutura funciona como uma ponte apoiada em sapatas pontuais, variando de 20 cm a 80 cm de altura conforme o declive do solo.
- Resíduo Mínimo: O deck foi construído com eucalipto tratado de reflorestamento, com uma paginação de ripas calculada para usar o tamanho original das peças, mitigando o descarte de materiais.
- Manejo Consciente: Nenhuma árvore foi derrubada. Plantas arbustivas que precisaram ser movidas foram transplantadas para áreas degradadas do próprio Parque da Água Branca.
Estações de Convivência ao Ar Livre

O percurso suspenso guia o público por três núcleos de permanência dispostos ao longo do abraço verde. A primeira estação é voltada à observação panorâmica da paisagem; a segunda funciona como um recanto intimista para conversas; e a terceira se configura como um estar ao ar livre completo, decorado com sofás, poltronas e balanços sob a copa das árvores.
Filtros verticais feitos de biribas criam uma transição suave entre os ambientes, gerando jogos de luz e sombra ao longo do dia e homenageando técnicas da construção tradicional brasileira. Grande parte das novas mudas está disposta em cachepôs metálicos integrados ao deck, e a estrutura continuará no parque após o término da mostra, colaborando com a revitalização contínua do patrimônio público.