Alemanha 2006: a Copa que encerrou uma geração de lendas
Zidane, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos, Beckham e Figo disputaram seu último Mundial, enquanto Messi e Cristiano iniciavam uma nova era
- Publicado: 06/07/2026 12:47
- Alterado: 06/07/2026 12:47
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: ABCdoABC
Quando Lionel Messi e Cristiano Ronaldo entrarem em campo pela última vez em uma Copa do Mundo, o futebol viverá o encerramento de uma era. Durante mais de duas décadas, os dois ajudaram a definir o esporte, acumulando títulos, recordes e momentos que marcaram gerações.
Mas essa não será a primeira vez que um Mundial servirá como palco para tantas despedidas ao mesmo tempo. Vinte anos antes, a Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha, reuniu alguns dos maiores jogadores da história em suas últimas aparições no principal torneio do futebol. Enquanto todos acompanhavam a disputa pelo título, uma geração que dominou os anos 1990 e o início dos anos 2000 se preparava para deixar a cena.
A despedida de Zidane

Nenhum adeus simboliza melhor aquela Copa do que o de Zinédine Zidane. Após anunciar que encerraria a carreira ao final do torneio, o francês conduziu sua seleção em uma campanha memorável. Contra Espanha, Brasil e Portugal, mostrou porque era considerado um dos jogadores mais elegantes e decisivos de sua geração.
A final contra a Itália parecia um encerramento perfeito. Zidane abriu o placar com uma cobrança de pênalti cheia de personalidade e se aproximava de levantar o troféu pela segunda vez.
Mas o desfecho ficou marcado pela cabeçada em Marco Materazzi na prorrogação. Expulso em sua última partida como profissional, Zidane protagonizou uma despedida tão brilhante quanto controversa, transformando seu último jogo em um dos momentos mais emblemáticos da história das Copas.
O último Mundial dos heróis de 2002

A seleção brasileira chegou à Alemanha defendendo o título conquistado quatro anos antes. No elenco estavam alguns dos principais rostos da conquista de 2002, mas muitos deles disputariam sua última Copa do Mundo.
Ronaldo Fenômeno encontrou espaço para fazer história. Com três gols no torneio, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas naquele momento, superando o alemão Gerd Müller.
Cafu tornou-se o primeiro jogador a disputar três finais consecutivas de Mundial e encerrou sua trajetória como um dos maiores laterais da história, enquanto Roberto Carlos, outro símbolo da geração campeã, também se despediu das Copas após a eliminação para a França nas quartas de final.
Os adeuses espalhados pela Europa
As despedidas não ficaram restritas ao Brasil e à França. Luís Figo disputou seu último Mundial por Portugal, encerrando uma carreira que ajudou a recolocar o país entre as potências europeias. David Beckham também fez sua última participação em Copas, deixando o torneio após a eliminação inglesa para Portugal.
Oliver Kahn, eleito melhor jogador da Copa de 2002, viu seu protagonismo na seleção alemã chegar ao fim. Embora ainda estivesse no elenco, o goleiro já dividia espaço com uma nova geração que começava a surgir.
Por toda a Europa, nomes que haviam dominado o futebol internacional durante mais de uma década se aproximavam de seus capítulos finais.
O nascimento de uma nova era
Enquanto as lendas se despediam, novos protagonistas davam seus primeiros passos. Um jovem Lionel Messi disputava sua primeira Copa do Mundo e marcava seu primeiro gol em Mundiais. Cristiano Ronaldo, aos 21 anos, liderava uma seleção portuguesa que chegaria às semifinais. Naquele momento, poucos poderiam imaginar que Messi e Cristiano dominariam o futebol pelos vinte anos seguintes, mas os sinais já estavam lá.
A Itália terminou o torneio como campeã do mundo. Ainda assim, duas décadas depois, a Alemanha 2006 é lembrada por algo que vai além do troféu: foi a Copa da despedida de Zidane, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos, Figo e Beckham.
Algumas Copas ficam marcadas não apenas pelos campeões, mas também porque representam a passagem do tempo. Elas encerram histórias que pareciam eternas e abrem espaço para outras que ainda estão começando. A Alemanha de 2006 fez exatamente isso e, vinte anos depois, a Copa de 2026 parece pronta para repetir o ciclo.