De prodígio do Chelsea à Copa do Mundo: a redenção de Gaël Kakuta

Com a carreira marcada por expectativas não cumpridas e passagens por diversos países, ex-prodígio do Chelsea viverá, aos 35 anos, uma Copa do Mundo

Crédito: (Divulgação/FIFA)

Quando a lista final da República Democrática do Congo para a Copa do Mundo de 2026 foi divulgada, um nome chamou atenção entre os convocados: Gaël Kakuta. Aos 35 anos, a antiga promessa do Chelsea terá a oportunidade de disputar o maior torneio do futebol após uma carreira que passou muito longe do destino que se projetava na adolescência.

O início da carreira

Gaël Kakuta - Chelsea - Copa do Mundo
(Divulgação/Chelsea)

Poucos jogadores chegaram ao futebol profissional carregando tantas expectativas quanto Gaël Kakuta. Formado nas categorias de base do Lens, o meia-atacante chamou a atenção ainda adolescente e foi contratado pelo Chelsea em 2007, em uma transferência tão controversa que chegou a render uma punição da FIFA ao clube inglês. Na época, muitos o apontavam como uma futura estrela do futebol europeu.

Eden Hazard, durante entrevista em 2024, garantiu que Kakuta foi o jogador mais talentoso com quem já jogou junto: “O único para quem eu olhava e dizia ‘uau!’ era Gaël Kakuta. Você me perguntou sobre talento. Kakuta, de longe, foi o número um”, garante o belga.

E o talento era, de fato, evidente. Kakuta brilhou nas seleções de base da França e foi destaque em uma geração que também revelou nomes importantes para o futebol europeu. Em Stamford Bridge, porém, a realidade foi diferente. A concorrência era enorme, as oportunidades foram escassas e o jogador nunca conseguiu se firmar. Em oito anos no Chelsea, fez poucas partidas pela equipe principal e passou boa parte do tempo acumulando empréstimos.

A sequência

O que veio depois foi uma carreira marcada pela instabilidade. Gaël Kakuta passou por clubes da Inglaterra, Espanha, Itália, França, China, Irã e Turquia. Enquanto outros jogadores de sua geração construíam trajetórias sólidas na elite europeia, ele se tornava um verdadeiro andarilho do futebol, trocando constantemente de equipe em busca de um novo começo.

Durante muitos anos, seu nome apareceu com frequência em listas de “maiores promessas que não vingaram”. A imagem do garoto que deveria ter sido uma estrela acabou pesando mais do que a carreira que efetivamente construiu. Mas o futebol segue roteiros imprevisíveis.

Em 2017, Gaël Kakuta decidiu defender a República Democrática do Congo, país de origem de sua família. A mudança lhe permitiu encontrar um novo espaço no cenário internacional. Mesmo sem o brilho que muitos esperavam quando era adolescente, tornou-se uma peça experiente dentro da seleção congolesa. Nos anos seguintes, o jogador passou por clubes franceses, como Amiens e Lens, e viveu uma das melhores fases da carreira, recuperando parte do prestígio perdido.

A Copa do Mundo

Quando a República Democrática do Congo garantiu sua classificação para a Copa do Mundo de 2026, encerrando uma ausência de mais de cinco décadas em Mundiais, parecia improvável que Gaël Kakuta estivesse entre os escolhidos. Ele havia participado pouco do ciclo recente da seleção e chegou a ficar fora de convocações importantes. Ainda assim, Sébastien Desabre decidiu apostar na experiência do veterano para o torneio. O meia retornou à lista final e embarcou para a maior competição do futebol mundial.

A convocação representa muito mais do que uma simples presença em um elenco. Ela simboliza a sobrevivência de uma carreira que parecia destinada a ser lembrada apenas pelas expectativas frustradas. Aos 35 anos, Gaël Kakuta talvez nunca tenha alcançado o nível que imaginavam para ele quando surgiu no Chelsea, mas conseguiu algo que muitos jogadores jamais experimentam: uma segunda chance de deixar sua marca na história.

Na Copa do Mundo de 2026, o antigo prodígio não entra em campo para provar que foi a promessa que todos esperavam, ele joga para mostrar que sua trajetória valeu a pena, mesmo sem cumprir todas as previsões.

  • Publicado: 18/06/2026 14:36
  • Alterado: 18/06/2026 14:36
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC