A leveza chega ao deixar ir o que pertence ao passado
Uma reflexão sobre o encerramento de ciclos, despedidas e aprendizados
- Publicado: 28/08/2026 18:51
- Alterado: 28/08/2026 18:51
- Autor: Daniela Penatti
Se despedir não é fácil, ainda mais quando você passou quase metade da sua vida se dedicando aquilo que viu crescer. Mas às vezes a gente tem que deixar ir, para poder começar a enxergar além, mesmo que essa luz no final do túnel esteja distante. E, como a vida não para, você precisa continuar. Como dizia a Dory, de Procurando Nemo: “Continue a nadar, continue a nadar…”.
O impacto das ausências e o movimento de continuar

Agora, se eu pensar na minha trajetória profissional, cabe bem aquela expressão: “quando tudo aqui era mato”. Quando comecei, era apenas uma estudante que tinha acabado de entrar na faculdade, uma mente pronta para ser moldada para o mercado de trabalho. Gosto de pensar que essa trajetória aconteceu por etapas.
Na primeira parte, conheci gente que chegou bem antes de mim, que já tinha bagagem e história. Conheci ali pessoas que me fizeram crescer. Na segunda parte, vi pessoas se desligando do trabalho, que concluíram seu papel na empresa e foram para outro lugar. Foi aí que tive que ser forte. Não apenas porque a pessoa estava saindo, mas porque tive que carregar a responsabilidade de continuar. Aguentei durante muito tempo. Eu era/sou mais forte do que pensava ou será que desenvolvi a resiliência necessária para aguentar sozinha?
Na terceira parte, conheci novos colegas e fui “mentora”. Ensinei, errei, duvidei e até questionei. Mas não abandonei. Foram muitos meses aguentando firme, recebendo críticas e me adaptando às mudanças daquele momento. Foi assim que amadureci (tanto como pessoa quanto como profissional).
As fases do amadurecimento e o peso da responsabilidade

Na quarta parte, quando o mundo pareceu se fechar devido à pandemia, vi tudo entrar em colapso. Ninguém entra, ninguém sai. Mas não foi bem assim: pela primeira vez, vi um time sendo formado. Um grupo de jornalistas dispostos a embarcar no mesmo barco que eu, aptos a estar ao meu lado dividindo tarefas e responsabilidades, fazendo algo que eu ajudei a crescer no passado se tornar ainda maior. Ninguém precisou puxar o tapete de ninguém; cada um tinha seu espaço, seu momento e seu lugar na história, ou melhor, seu lugar no Portal.
Quinze anos de história e a certeza do dever cumprido

Parte final: foram mais ou menos 15 anos. Quinze anos me dedicando ao lugar que olhou para mim, viu meu potencial e viu aquela estudante se tornar uma profissional. Nesses anos, foram muitos “e se…”. Tive vários momentos, felizes e tristes; de frustrações e de conquistas. Durante todo esse tempo, fui resiliente e paciente diante de muitas coisas que presenciei nos anos em que estive por aqui. E hoje, eu, Daniela Penatti, encerro meu ciclo no Portal ABCdoABC. Fiz amigos — aqueles lá do início que, mesmo enfrentando tempestades, não soltaram a minha mão.
Saio de cabeça erguida e com a consciência tranquila de que fiz o que pude e até o que não pude; Fiz parte de um lugar que ajudei a crescer e a se tornar ainda maior.
Aos amigos, colegas, leitores e leitoras: obrigada por terem feito parte da minha trajetória profissional.
Arigatou Gozaimasu.
Daniela Penatti