6,2 milhões de jovens no Brasil não estudam nem trabalham
O diagnóstico revela que 18,7% dos jovens no Brasil enfrentam a exclusão social por estarem fora do sistema de ensino e do mercado
- Publicado: 29/06/2026 16:08
- Alterado: 29/06/2026 16:08
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentou no Teatro CIEE, na capital paulista, o diagnóstico inédito “Os Jovens no Brasil: Permanências e Necessidades de Mudança”. Baseado em dados do primeiro trimestre de 2026 da PNAD Contínua, o levantamento aponta que o Brasil possui 6,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos que não estudam nem trabalham (equivalente a 18,7% dessa população).
De acordo com a Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), essa realidade atinge de forma mais severa mulheres negras e jovens que abandonam a formação e o mercado formal para assumir a responsabilidade exclusiva por cuidados domésticos e familiares.
Raio-X da juventude e avanços no emprego

O estudo analisou o perfil de 32,9 milhões de brasileiros nessa faixa etária (que compõem 15,4% da população total do país). A distribuição dos jovens no cenário nacional revela diferentes realidades:
- Apenas estudam: 12,8 milhões (39%);
- Apenas trabalham: 9,6 milhões (29,1%);
- Estudam e trabalham: 4,3 milhões (13,2%);
- Não estudam nem trabalham: 6,2 milhões (18,7%).
Apesar do alerta social, a pesquisa identificou melhorias macroeconômicas significativas. O desemprego entre jovens de 18 a 24 anos caiu pela metade desde o pico de 2021, fixando-se em 13,8%, embora ainda seja 2,4 vezes superior à média nacional geral (5,8%).
A taxa de formalização atingiu o maior patamar da série recente: 57,8% dos jovens ocupados possuem carteira assinada, somando 8 milhões de trabalhadores formais.
Barreiras: Baixa qualificação, salários e rotatividade

A juventude brasileira registra seus maiores índices históricos de escolaridade, 73% concluíram ao menos o ensino médio e 2,3 milhões cursam o ensino superior. No entanto, o mercado ainda absorve essa mão de obra em postos de baixa complexidade.
Cerca de 84% dos jovens atuam em funções generalistas, como escriturários, balconistas e vendedores, que dispensam formação técnica. Como reflexo, 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo. Outro obstáculo é a alta rotatividade: 52% dos adolescentes (14 a 17 anos) e 38,2% dos jovens (18 a 24 anos) permanecem menos de um ano no mesmo emprego.
“A aprendizagem é uma realidade da nossa sociedade, mas precisamos lutar para que o jovem almeje postos de trabalho maiores. Isso exige um esforço individual, mas também de uma sociedade que facilite sua trajetória”, pontuou Paula Montagner, subsecretária da SEET.
Recomendações e Políticas Públicas
Para reverter o quadro de vulnerabilidade e exclusão, o diagnóstico sugere focar em ações estratégicas:
- Fortalecimento de programas de transferência de renda e combate à evasão escolar, como o Pé-de-Meia;
- Capacitação em Ensino a Distância (EAD) direcionada a jovens mães;
- Interiorização de vagas de menor aprendiz nas regiões Norte e Nordeste;
- Formação em letramento digital e inteligência artificial para elevar a qualificação tecnológica e a média salarial da nova geração.