Centro de conservação de SP registra nascimento de quatro micos-leões-pretos

Centro em Araçoiaba da Serra registra quatro nascimentos da espécie em menos de uma semana e reforça programa estadual de preservação.

Centro de conservação de SP registra nascimento de quatro micos-leões-pretos

Crédito: Semil / Divulgação

O Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau), localizado em Araçoiaba da Serra, registrou o nascimento de quatro micos-leões-pretos em um intervalo de apenas seis dias no final de setembro. Os filhotes nasceram em dois partos de gêmeos e fortalecem o programa de reprodução de primatas vulneráveis no Estado de São Paulo.

Os dois primeiros recém-nascidos chegaram no dia 22. Eles são filhos de Bernadete, de 4 anos, e Ronaldinho, de 3 anos. O casal apresentou excelente comportamento parental logo na primeira experiência com o cuidado de crias.

Reprodução de micos-leões-pretos une gerações

Na segunda-feira (28), a avó da primeira dupla também deu à luz. Keila, de 13 anos, e Tupac, de 9 anos, tiveram seus próprios gêmeos no espaço do interior paulista. Com esse parto, a fêmea soma agora dez descendentes diretos gerados em cativeiro.

Os novos micos-leões-pretos representam a continuidade de uma mesma linha genética na unidade, evidenciando o sucesso das técnicas biológicas de manejo.

“É um momento muito especial para toda a equipe. Temos a oportunidade de observar duas gerações da mesma família se reproduzindo e demonstrando comportamentos adequados de cuidado parental”, afirmou a veterinária do Cecfau, Mayara Caiaffa.

Espécie endêmica e ameaçada

O primata é um símbolo exclusivo da Mata Atlântica paulista e enfrenta forte risco de extinção. Estimativas oficiais apontam que restam cerca de 1.600 indivíduos da espécie na natureza e aproximadamente 80 sob cuidados humanos em todo o mundo.

A reprodução controlada atua como a principal estratégia para evitar o desaparecimento definitivo desses micos-leões-pretos. Desde o início das operações de resgate, a unidade estadual contabiliza 38 filhotes do primata nascidos nas instalações.

Parte desse grupo já seguiu para outros estados com a finalidade de formar novos casais reprodutivos e espalhar a carga genética. Hoje, o centro de conservação mantém 19 exemplares estabilizados e monitorados ativos no projeto.

“Por trás de cada nascimento existe ciência, conhecimento, manejo e muito cuidado. Quando uma espécie ameaçada se reproduz sob cuidados humanos, estamos criando uma nova oportunidade para conhecer melhor essa espécie”, ressaltou a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos.

Proteção da fauna brasileira

A instituição paulista atua ativamente no resgate e na propagação de outros animais classificados no livro vermelho de vulnerabilidade. Projetos científicos focados no sagui-da-serra-escuro, no tamanduá-bandeira e na arara-azul-de-lear ganham tração nas grandes áreas de manejo rural.

Um destaque histórico do local envolve as pererecas-pintadas-do-rio-Pomba, mantidas sob proteção integral com um contingente de cerca de 800 animais exclusivos no Cecfau. A equipe técnica do governo já registrou mais de 450 nascimentos de diferentes espécies silvestres em ambiente controlado.

O trabalho acadêmico da unidade envolve parcerias com polos de pesquisa, como o convênio firmado com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os dados biológicos documentados orientam as futuras ações de soltura de micos-leões-pretos nas matas de transição paulistas.

Thiago Antunes

  • Publicado: 30/09/2026 15:51
  • Alterado: 30/09/2026 15:51
  • Autor: Thiago Antunes